Sobre ser gorda

Há alguns dias vi um ensaio maravilhoso no Papo de Homem, onde a maravilhosa da Luísa Toledo fala sobre a experiência de ser fotografada nua mesmo não tendo um corpo dentro dos padrões:

O caminho dos nossos pequenos prazeres desprazeirosos, das nossas escolhas neuróticas pelo sofrimento diário de adequação, pede desconstrução! E tirar a roupa em uma sociedade de tabus, mostrar o corpo desconstruído da necessidade de agradar pode ser revolucionário, falo de uma revolução interna mesmo, não pretendo doutrinar ninguém.

Com o Jan, acredito que o exercício foi libertador, não me vi pelas lentes dele, consegui pela primeira vez em uma sessão de fotos me mostrar como sou, o que tenho de mais íntimo, minha casa, minhas cores, curvas, marcas e resquícios do caminho percorrido até aqui, meu corpo real que atravessa o olhar em uma sessão que simboliza o prazer de se sentir em casa dentro de si.

Mesmo com tanta maravilhosidade em forma de postagem, me deparei com um comentário (eu sei, não deveria ler os comentários, mas o Papo de Homem costuma ser um lugar chorume-free, então dei uma chance) que dizia simplesmente: “cs tão ligado que obesidade é uma doença né? altamente combatida pelo OMS (sic)”. 

Cara, como pode, né? Uma pessoa – ou várias, porque depois se seguiram outros comentários igualmente ofensivos e até piores – olhar para outra pessoa e só enxergar o que quer, no caso, um corpo doente. A Luísa, no caso uma mulher gorda, estava dando a cara a tapa e se colocando para o mundo de forma corajosa e empoderada, por se mostrar simplesmente como ela é. E vem um cara e reduz toda essa experiência apenas a “uma doença combatida pela OMS”. Ter me deparado com esse comentário foi algo que mexeu muito comigo, porque me jogou na cara o que é, para nossa sociedade, ser gordo, mas mais ainda, ser uma mulher gorda.

O corpo de uma mulher gorda nunca vai ser algo secundário. Ele sempre virá em primeiro lugar, antes mesmo de outros aspectos de sua personalidade, de sua competência profissional, de suas vontades, de sua essência, enfim, de quem ela é. Para a sociedade em que vivemos, o fato de uma mulher se sentir bem na própria pele é algo inaceitável. Se um corpo não se enquadra nos padrões, é preciso combatê-lo, moldá-lo, mutilá-lo e, finalmente, adequá-lo.

Não se engane, a preocupação com a saúde do gordo é uma falácia. Alguns problemas de saúde podem estar associados ao excesso de peso, mas obesidade não é sinônimo de doença, assim como magreza não é sinônimo de saúde. Sob o pretexto de cuidar da saúde física de uma pessoa, esse tipo de comentário pode contribuir para piorar a saúde mental dela. Como diz a Paola Altheia, do Não Sou Exposição:

A obesidade é um problema de saúde. No entanto, não podemos confundir: tratar a doença com atacar o portador. Pessoas obesas têm direito de sair em público, se amar, amar aos outros, fazer conquistas, namorar e…. DANÇAR! A vida não para porque estamos com excesso de peso. Todos os seres humanos têm sentimentos. Todos os seres humanos devem ser respeitados.

Para finalizar e tirar um pouco da bad deixada pelo comentário gordofóbico, deixo vocês com mais um ensaio maravilhoso onde eu só enxergo amor:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, atividades ao ar livre, água, close-up e natureza

* Imagens: 1 | 2 | 3

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apple, carefree, chanel, chic, chocolate

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* Imagem retirada daqui

Quando se está uma bagunça

Eu quando preciso fazer algo e estou com preguiça.

Estou escrevendo esse post em pleno domingo à noite e, ao fundo, o som do Domingão do Faustão só me causa ainda mais bad. Talvez seja por influência de mercúrio retrógrado ou mesmo do eclipse solar que está por acontecer. Ou talvez os astros não tenham nada a ver com isso. Mas a verdade é que já faz algum tempo que eu estou uma bagunça, por dentro e por fora.

No ano passado, eu abri meu coração sobre as crises que estava tendo e a verdade é que recentemente algumas dessas sensações voltaram. Depois de uma fase muito boa profissionalmente, as coisas parece que começaram a andar para trás. Ando muito cansada e sem pique pra nada. Quando chega o final de semana, tudo o que eu quero é ficar quietinha em casa, na minha. Quando o final de semana acaba, me bate um desânimo de ter que começar tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, acho que esse post foi só uma forma de colocar um pouco pra fora o que venho sentindo ultimamente. Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo para se isolar do mundo e prestar atenção em nós mesmos, e é isso o que estou buscando fazer nesse momento. Às vezes a gente precisa entrar em contato com nossos monstrinhos interiores, remexer o lixo emocional que acumulamos, curtir um pouco a bad. Colocar o dedo na ferida para, depois, começar o processo de cura. Ser uma bagunça total para, então, se arrumar.

* Imagem retirada daqui

Amar é deixar ir

black and white, close, drawing, fight, forget

A vida toda, fomos acostumados a pensar em sentimentos como uma forma de prisão. Quando gostamos de alguém, temos a tendência de nos referir à pessoa como sendo “nossa”. “Esse é meu namorado”, “ela é minha amiga”, “nossa, isso é a cara da minha mãe”. Só questão de semântica? Talvez. Mas hoje me peguei pensando nisso e em como nos referimos a quem a gente ama.

Porque amar está longe de ser um sentimento de posse. Claro que não pensei assim a vida toda, mas fui amadurecendo essa ideia aos poucos. As pessoas não nos pertencem, assim como não dá pra esperar que pessoas – essa misturinha de independência com sociabilidade – sejam ou ajam de acordo com o que esperamos.

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sou um pouco tímida e bastante introvertida. Não gosto de multidões e prefiro sempre estar entre poucas pessoas em quem confio, isso quando não prefiro estar sozinha. Assim como espero que os outros respeitem essa minha particularidade, tive que me acostumar com a ideia de que, às vezes, as pessoas vão se afastar. E com o tempo, eu entendi que tudo bem, sabe?

Voltando lá pro assunto do começo, não existe essa coisa de as pessoas pertencerem umas às outras. As pessoas entram nas nossas vidas e podem ter um papel importante ou não nelas, podem causar ou não impacto, podem ou não levar algo de nós com elas e, da mesma forma, podem ou não permanecer. É importante respeitar as decisões das pessoas – principalmente de quem a gente ama – mesmo que isso signifique não tê-las mais por perto.

O mundo muda, as circunstâncias mudam e as pessoas mudam com elas. Amar é entender que nem tudo vai continuar igual para sempre, nem tudo vai voltar a ser como era antes. E que tá tudo bem. Amar é respeitar as pessoas por suas decisões e seguir em frente, guardando na memória o tempo bom que foi vivido. Amar é ser livre e permitir que o outro também seja. Amar, muitas vezes, é deixar ir.

* Imagem retirada daqui

Leituras da semana

autumn, beverage, chill, chilly, choco

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* Imagem retirada daqui

Metas do mês – Junho

Qualquer mês:

Já passamos de 40% do ano, o que significa que grande parte já foi, mas ainda temos muito tempo pela frente se quisermos transformar 2017 em um ano de realizações. Então, bora pras metas de Junho?

♥ Cuidar mais do meu visual e autoestima

♥ Ler mais um livro (o 5º do ano)

♥ Ir em alguma festa junina

♥ Equilibrar minha vida financeira

♥ Listar peças de roupa que pretendo comprar

* Imagem retirada daqui