Leituras da semana

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Neste espaço eu compartilho com vocês alguns links e postagens interessantes que li durante a semana:

Por que devemos parar de dizer para mulheres amarem seus corpos

Adote uma rotina de beleza holística

Acorde egoísta: priorize tarefas que são importantes para você

7 maneiras de relaxar com pouco ou nenhum dinheiro

Mulheres no poder: caminhando sobre um chão de vidro

* Imagem retirada daqui

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#GIRLBOSS e sua importância para o mundo dos negócios

5 Coisas que aprendi com girl boss

Ontem passei por uma experiência curiosa: navegando pela seção de negócios no site de uma livraria, me deparei com livros que contam sobre a vida e a carreira de diversos empreendedores e executivos bem sucedidos (Jack Welch, Steve Jobs, Neil Patel, Elon Musk, Jeff Bezos, Warren Buffet, Jorge Paulo Lemann, enfim, eu poderia ficar aqui por dias só citando nomes). Porém, entre tantos best sellers sobre homens de sucesso, uma única mulher: Sophia Amoruso e seu livro #GIRLBOSS.

Quem, assim como eu, está inserido nesse meio de startups e empreendedorismo provavelmente já se acostumou a ouvir sobre esses nomes e até mesmo suas histórias. Mas isso sempre me inquietou: será que não há nenhuma CEO ou fundadora cuja trajetória mereça ser contada? Ou será que, por serem mulheres, as editoras não querem contar essas histórias?

Já falei aqui que li o livro “Sonho Grande”, biografia de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, e não gostei. Nesse livro, as personagens femininas nem sequer têm nome (a não ser as esposas e filhas dos empresários), quem dirá voz. Aquilo me incomodou profundamente. Não consigo me identificar com esses caras, a história de vida deles não tem nada a ver com a minha. Foi então que, depois de muito ouvir falar sobre o livro, resolvi comprar #GIRLBOSS, autobiografia da já citada Sophia Amoruso e que conta sua trajetória desde que era uma garota-problema na adolescência até se tornar CEO de uma empresa que vale 100 milhões de dólares.

Sério, além de ser um dos livros mais inspiradores que eu já li, o grande diferencial de #GIRLBOSS é mostrar que qualquer mulher pode se destacar na carreira que escolheu, sendo responsável por seu próprio sucesso. À medida que eu ia avançando nas páginas, parece que a ficha ia caindo cada vez mais: “Ei, eu também posso fazer isso!”, “Putz, que dica legal!”, “meu Deus, isso é muito eu”. Relembrando essas sensações que tive quando li o livro, somado à experiência curiosa que tive no site da livraria, tive esse estalo: #GIRLBOSS é uma ilha de protagonismo feminino em um mar de livros de negócios feitos para homens.

É óbvio que mulheres também podem ler biografias de empreendedores e CEOs homens e tirar insights relevantes para suas carreiras. Mas #GIRLBOSS vai além, e por isso é tão inspirador para a mulher que o lê: porque gera identificação. Porque mostra uma mulher como protagonista de sua própria história, com os erros e acertos que isso possa trazer. Porque diz que está tudo bem ser ambiciosa, querer crescer profissionalmente, mirar o primeiro lugar. Falar sobre trabalho, carreira, dinheiro e sucesso especificamente para o público feminino é importante sim, é empoderador sim, pois ajuda a quebrar anos de uma doutrinação que diz que lugar de mulher é cuidando da casa, na cozinha. Não é. Lugar de mulher é onde ela quiser – de preferência, no topo.

* Imagem: blog Morando Sozinha

Leituras da semana

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Neste espaço eu compartilho com vocês alguns links e postagens interessantes que li durante a semana:

Consertar para durar – nas roupas e na vida

O melhor exercício para o seu corpo é o de autoaceitação

26 pequenas coisas para fazer quando se está pra baixo

♥ Você não é o que falam sobre você

♥ 9 coisas que mães e pais não aguentam mais ouvir

* Imagem retirada daqui

Eu e a cidade

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Não sei vocês, mas eu AMO andar pelas ruas observando a cidade. Todos os dias, quando estou a caminho do trabalho, passo de ônibus por um dos viadutos do Complexo da Lagoinha (para quem não é de BH, esse é um complexo viário que interliga três importantes avenidas no centro da cidade) e não consigo não me deixar hipnotizar pelos prédios ao redor — de fato, um belo horizonte.

Eu nasci no interior de Minas Gerais e, mesmo não sendo uma cidade muito pequena, eu ainda tinha uma sensação de constrição, um sentimento de oportunidades restritas. Parece que, quando eu olhava em volta, só via muros. Hoje, quando faço o mesmo exercício, vejo horizontes. Percebem a diferença?

Não tenho nada contra quem escolhe morar no interior, ou levar uma vida simples na roça, nada disso. Mas, para mim, morar em uma capital trouxe uma série de experiências que eu jamais poderia ter na minha cidade natal. É como se eu tivesse crescido com a sensação de que as possibilidades não terminavam ali e, de repente, tivesse criado asas para ir além do que eu conhecia.

Morar sozinha, enfrentar uma cidade grande com todas as suas dores e delícias, conquistar tudo o que eu sempre quis com meus próprios esforços, a sensação de ser independente e o orgulho de tudo o que construí até aqui, tudo isso me passa na cabeça ao olhar aqueles prédios altos da janela do ônibus. Não, não é só uma cidade. É muito mais que isso.

Capturar

* Primeira foto retirada daqui e a segunda de minha autoria

Sobre ser gorda

Há alguns dias vi um ensaio maravilhoso no Papo de Homem, onde a maravilhosa da Luísa Toledo fala sobre a experiência de ser fotografada nua mesmo não tendo um corpo dentro dos padrões:

O caminho dos nossos pequenos prazeres desprazeirosos, das nossas escolhas neuróticas pelo sofrimento diário de adequação, pede desconstrução! E tirar a roupa em uma sociedade de tabus, mostrar o corpo desconstruído da necessidade de agradar pode ser revolucionário, falo de uma revolução interna mesmo, não pretendo doutrinar ninguém.

Com o Jan, acredito que o exercício foi libertador, não me vi pelas lentes dele, consegui pela primeira vez em uma sessão de fotos me mostrar como sou, o que tenho de mais íntimo, minha casa, minhas cores, curvas, marcas e resquícios do caminho percorrido até aqui, meu corpo real que atravessa o olhar em uma sessão que simboliza o prazer de se sentir em casa dentro de si.

Mesmo com tanta maravilhosidade em forma de postagem, me deparei com um comentário (eu sei, não deveria ler os comentários, mas o Papo de Homem costuma ser um lugar chorume-free, então dei uma chance) que dizia simplesmente: “cs tão ligado que obesidade é uma doença né? altamente combatida pelo OMS (sic)”. 

Cara, como pode, né? Uma pessoa – ou várias, porque depois se seguiram outros comentários igualmente ofensivos e até piores – olhar para outra pessoa e só enxergar o que quer, no caso, um corpo doente. A Luísa, no caso uma mulher gorda, estava dando a cara a tapa e se colocando para o mundo de forma corajosa e empoderada, por se mostrar simplesmente como ela é. E vem um cara e reduz toda essa experiência apenas a “uma doença combatida pela OMS”. Ter me deparado com esse comentário foi algo que mexeu muito comigo, porque me jogou na cara o que é, para nossa sociedade, ser gordo, mas mais ainda, ser uma mulher gorda.

O corpo de uma mulher gorda nunca vai ser algo secundário. Ele sempre virá em primeiro lugar, antes mesmo de outros aspectos de sua personalidade, de sua competência profissional, de suas vontades, de sua essência, enfim, de quem ela é. Para a sociedade em que vivemos, o fato de uma mulher se sentir bem na própria pele é algo inaceitável. Se um corpo não se enquadra nos padrões, é preciso combatê-lo, moldá-lo, mutilá-lo e, finalmente, adequá-lo.

Não se engane, a preocupação com a saúde do gordo é uma falácia. Alguns problemas de saúde podem estar associados ao excesso de peso, mas obesidade não é sinônimo de doença, assim como magreza não é sinônimo de saúde. Sob o pretexto de cuidar da saúde física de uma pessoa, esse tipo de comentário pode contribuir para piorar a saúde mental dela. Como diz a Paola Altheia, do Não Sou Exposição:

A obesidade é um problema de saúde. No entanto, não podemos confundir: tratar a doença com atacar o portador. Pessoas obesas têm direito de sair em público, se amar, amar aos outros, fazer conquistas, namorar e…. DANÇAR! A vida não para porque estamos com excesso de peso. Todos os seres humanos têm sentimentos. Todos os seres humanos devem ser respeitados.

Para finalizar e tirar um pouco da bad deixada pelo comentário gordofóbico, deixo vocês com mais um ensaio maravilhoso onde eu só enxergo amor:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, atividades ao ar livre, água, close-up e natureza

* Imagens: 1 | 2 | 3