Sobre a busca pela perfeição

Perfection

Sempre me considerei uma pessoa perfeccionista. Gosto de ter as coisas bem estruturadas e organizadas, nos mínimos detalhes. Sou muito crítica – tanto comigo quanto com os outros -, pois quero sempre que tudo esteja sempre impecável, perfeito. Mas mais do que ninguém sei o quanto isso pode ser fonte de sofrimento, afinal, nada mais difícil que alcançar a perfeição. Por isso, nos últimos tempos, tenho refletido acerca desse assunto e venho dividir minhas divagações com vocês.

Eu, que sempre li sobre moda e beleza em revistas, com modelos de pele e cabelos retocados em fotos profissionais nos anúncios, fiquei maravilhada quando descobri os blogs de beleza, onde pessoas reais davam opiniões reais sobre os produtos. Porém, aquela essência pessoal infelizmente se perdeu para alguns blogs. A impressão que tenho é que hoje tudo se tornou mais plástico, mais artificial. Tudo é milimetricamente pensado e arquitetado para parecer perfeito, desde o cenário dos vídeos até as marcas de maquiagem – de preferência, as mais caras possíveis.

Não sei vocês, mas minha vida não é perfeita. Nem se eu tivesse a família perfeita, o namorado perfeito, o emprego perfeito e os amigos perfeitos ela não seria. Eu não sou perfeita. Meu quarto não fica arrumado o tempo todo. Na faculdade, não tirava as melhores notas. Às vezes tenho preguiça depois de chegar em casa cansada e acabo pegando no sono sem tirar a maquiagem. Quando acho que um livro está chato, desisto de ler no meio. Eu rôo as unhas de ansiedade. Mesmo engajada em manter uma dieta equilibrada, às vezes cedo ao desejo de comer hambúrguer, batata frita e Nutella de sobremesa. Porque sou real. Tenho falhas e cometo deslizes como todas as outras pessoas.

Somos bombardeados o tempo todo com regras de como deveríamos ser, com padrões estéticos e de comportamento a serem seguidos. Mas o que estou dizendo é que precisamos encontrar formas de não deixar que isso abale nossa autoconfiança. De perceber que não há nada de errado em ser quem se é. Que não precisamos – ou não devíamos precisar – de disfarces, de artifícios, de truques para parecermos mais adequados ao que os outros acham certo. Que tudo bem ter falhas e, por mais que você não queira mostrá-las explicitamente, também não é preciso negá-las. Você já parou pra pensar que a grama do vizinho pode não exatamente ser a mais verde? Nesse mundo efêmero das redes sociais, pode ser só mais um filtro do Instagram. 😉

* Imagem retirada daqui

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2 comentários sobre “Sobre a busca pela perfeição

  1. confesso pra voce que é libertador não querer ser perfeito! Mas não só dizer da boca pra fora, e sim, compreender tudo o que engloba cada pessoa, tudo o que nos torna únicos, nossa pequenez e fragilidades… precisamos ser humildes para reconhecer que somos pequenos demais. E realmente, especialmente atraves das redes sociais, vemos toda essa perfeição que nada mais é do que superficialidade. na internet podemos ser o que quisermos, podemos manipular nossa imagem, criamos personagens! Por isso que os relacionamentos virtuais estão tão mais valorizados do que os reais. Somos humanos, somos falhos. Que possamos ser humildes e reconhecer tal fato!

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    • Concordo demais, Bruna! Tenho buscado valorizar tudo o que é mais simples na vida, inclusive esse nosso lado humano, que é falho e imperfeito, e desapegado um pouco da necessidade de “passar uma imagem”. É tão mais fácil e satisfatório ser a gente mesma, né?

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