Sobre a zona de conforto

Mar calmo

A zona de conforto não tem esse nome por acaso. Ela te acolhe e te envolve e até te mima com carinho, como uma mãe carrega e protege seu bebê nos braços. Ela te tira todos os tipos de preocupação e medo, como quem diz “está tudo bem, pode ficar tranquila”. Ela te embala em uma calmaria sem fim, como passar uma manhã chuvosa de domingo debaixo das cobertas.

Porém, a zona de conforto é mãe ciumenta, não gosta de te ver longe dela e teme pelo que pode te acontecer. Por isso, te reprime toda vez que você, criança levada, tenta sair de seus braços. Por um tempo, funciona. Você se culpa por tentar se desvencilhar de um colo que te acolheu com tanta presteza e decide se fixar ali mesmo, na zona de conforto, protegido, seguro.

Logo a vontade de conhecer coisas novas volta. Você vê as crianças que brincam lá fora no parque e percebe que gostaria de ser como elas, livre para experimentar o novo. Mas colo de mãe é tão bom, calmo, seguro… pra que se soltar? Você não se solta. Mas a ânsia por liberdade fica ali quietinha, no seu peito, à espreita de uma nova oportunidade para se manifestar.

Até que um dia, numa distração da mãe, a criança se deixa seduzir e é levada pelo novo. Corre, pula, brinca como se não houvesse amanhã. Sorri. Quando a mãe-zona de conforto percebe, sua preciosa criança está lambuzada pelo novo, com manchas de mudança por toda a roupa. Tarde demais.

Na ânsia de aproveitar aquele momento antes que seja obrigada a voltar para a calmaria do colo da mãe, a criança pode se machucar. De tanto correr, é provável que vá tropeçar algumas vezes. Pode ralar o joelho até sangrar. É aí que o desespero bate, ouve-se a voz da mãe dizendo “eu te avisei!” e a vontade de voltar correndo pra zona de conforto ressurge.

O que a criança não sabe é que a dor, como tudo na vida, passa. As feridas cicatrizam e as lições são aprendidas. Ela aprende a se virar, mesmo não estando mais na zona de conforto. Percebe que é possível seguir em frente depois de um tropeço e, com o passar do tempo, os tombos passam a fazer parte do caminhar. Às vezes, sente falta da zona de conforto, mas sabe que já é crescida o suficiente para construir um ambiente calmo e seguro onde quer que esteja, por conta própria. Ela nunca esteve tão confortável na própria pele.

* Imagem retirada daqui

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s