Um desabafo

Bike

Minha jornada de trabalho é de nove horas por dia. Contando com o horário de almoço, fico nas dependências da empresa dez horas por dia, de segunda à sexta. Porém, para chegar no trabalho às 7:30, preciso acordar às 5:00 para ter tempo de me arrumar e pegar o ônibus. Quando saio do trabalho, pego trânsito até chegar em casa, o que faz com que o tempo de deslocamento seja de cerca de duas horas. Se for somar todo esse tempo, pode-se dizer que mais de 14 horas do meu dia giram em torno do trabalho. Ou seja, me sobram apenas 10 horas. Se diminuir o tempo de sono – isso porque não durmo as oito horas diárias recomendadas –, tenho apenas quatro ou cinco horas para fazer todo o resto (preparar as refeições, brincar com minha gatinha, arrumar a casa, namorar, acessar internet, postar no blog, assistir televisão, ler, descansar…).

Há alguns meses, fui com a minha irmã no Hemocentro para doar sangue pela primeira vez. Como ela já havia doado antes, perguntei algo que não me lembro mais sobre o atestado que eles dão, e ela me respondeu que não sabia, pois nunca tinha pedido atestado, já que nunca precisou prestar contas dos horários dela (ela é estudante de pós-graduação). Essa fala tocou algo profundo em mim, algo que até então não havia me dado conta. No meu dia-a-dia de assalariada, tenho vivido refém dessa prestação de contas e isso é algo que me incomoda muito.

Tenho refletido bastante sobre a qualidade de vida que almejo ter – e sobre a que minha realidade permite. O que é qualidade de vida, para mim, hoje? Se eu não precisasse fazer nada, o que eu gostaria de fazer? A rotina de vida que levo hoje contribui para que eu alcance meus objetivos pessoais a longo prazo? Eu tenho vivido uma vida leve como gostaria?

Eu queria poder acordar naturalmente, sem despertador, e trabalhar noite a dentro, pois funciono – e produzo – melhor nesse horário. Queria trabalhar em home office, me livrar da necessidade de usar transporte público e do tempo desperdiçado com ele. Queria poder ir ao banco ou resolver qualquer outra pendência sempre que precisasse, sem ter que me justificar para outra pessoa. Queria poder dar um pause nas tarefas, dar uma volta no quarteirão, fazer um lanche mais caprichado, e depois voltar ao trabalho com ânimo renovado. Queria poder trabalhar de shorts no verão e de moletom no inverno. Queria trabalhar em uma atividade na qual eu visse sentido e sentisse que estava fazendo a diferença. Não queria acumular riquezas, apenas conforto.

É claro que não posso simplesmente jogar tudo para o alto e viver a vida que eu descrevi ali em cima (ou pelo menos não posso agora). Ainda estou no ínicio da minha carreira, tenho muito a aprender e não vou simplesmente abandonar um emprego que foi tão difícil conseguir. Mas esse tipo de reflexão é fundamental para que eu possa me conhecer mais e saber que profissional eu gostaria de ser no futuro. Entendo que o “mundo ideal” não existe, mas posso continuar buscando formas de viver a vida de maneira mais próxima dos meus valores e objetivos. E incluir mais leveza no meu dia-a-dia, pois está faltando.

(Post inspirado nesse depoimento sincero da Rosana)

* Imagem retirada daqui

Anúncios

2 comentários sobre “Um desabafo

    • Oi Rosana! Muito obrigada pelo carinho, fiquei muito feliz com o seu comentário 🙂
      Para conquistar nossos sonhos temos que começar assim, um passinho de cada vez, não é mesmo?
      Saiba que seu blog me inspira e tem me ajudado muito nessa caminhada.
      Mais uma vez, obrigada!

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s