Sobre o sofrimento

Sofrimento

Você pode ter uma dieta balanceada, praticar meditação todos os dias e olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Pode ferver bem os alimentos antes de comer, fazer exercícios regularmente, parar de fumar. Todas essas são medidas que certamente vão te proteger de diversos males, porém, se há um mal do qual dificilmente conseguimos nos proteger, esse mal é o sofrimento psicológico.

Vivemos atualmente na era da felicidade escancarada em redes sociais, onde a grama do vizinho é (ou pelo menos aparenta ser) sempre mais verde. Por isso podemos pensar que é errado sofrer. Que a vida nos oferece todos os recursos de que precisamos para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Que não dá para ficar triste se sua carreira não está tomando o rumo que você queria, quando ao mesmo tempo existem milhões de pessoas passando fome na África. Que quem sofre por motivos considerados “banais” é fútil e não sabe reconhecer todas as demais coisas boas de sua vida.

A verdade é que o sofrimento psicológico não pode ser mensurado. Não dá para julgar o sofrimento de alguém pelo simples fato de que a única pessoa que conhece a dor é justamente quem a sente. Sensibilizar-se pela situação das pessoas que passam fome na África – ou debaixo do viaduto, na esquina da sua casa – é um sinal de empatia, obviamente. Mas acredito que é importante demonstrar essa mesma empatia a um amigo que perdeu a promoção que tanto sonhava no trabalho, ou à sua mãe, que acordou sentindo muita dor de cabeça e quis ficar mais uns minutinhos na cama. A empatia é justamente o esforço em sentir o que o outro sente, por isso deve ser um exercício diário.

QUOT ARIA

Da mesma forma, é preciso compreender que o sofrimento é um processo natural pelo qual todos nós passamos, que não há nada de errado em sofrer. Inclusive, reconhecer o sofrimento é muito saudável e dar vazão a ele (sabe aquele momento em que você realmente precisa se descabelar, chorar, espernear?) é o primeiro passo para conseguir superá-lo. Vale ressaltar que que cada um tem uma forma de lidar com os próprios sentimentos, por isso algumas pessoas tendem a se afastar mais, outras ficam mais emotivas e algumas até mesmo se mostram mais “fortes”, como uma forma de se defenderem do sofrimento.

Por isso, da próxima vez que se sentir triste, meio sem saída, não se sinta culpado por isso. Apenas sofra. Se for preciso, chore. Abrace seu sofrimento. Acolha essas emoções e saiba reconhecer a importância delas para que você aprenda e se desenvolva emocionalmente. É preciso aceitar o sofrimento para que possamos moldá-lo, lapidá-lo e transformá-lo em força motriz para seguir em frente. Depois que a tempestade mais forte passar, você vai ver como fica mais fácil enxergar o arco-íris.

* Imagens retiradas daqui e daqui

Anúncios

Um comentário sobre “Sobre o sofrimento

  1. Pingback: Desconectar para se conectar | Frugalidades

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s