Sobre o trabalho

Trabalho alienante

Eu acredito que o trabalho é estruturante para o ser humano, no sentido de que contribui para que o indivíduo se constitua como pessoa. Quando penso nisso, sempre me lembro de uma atividade que minha professora da área de orientação profissional propunha para “quebrar o gelo” no primeiro encontro do grupo de orientados: ela pedia que todos se apresentassem e falassem sobre si mesmos sem fazer qualquer menção ao mundo profissional. Caso você nunca tenha passado por essa experiência, sugiro que tente (você verá o quanto é difícil).

Estamos acostumados a nos definirmos enquanto profissionais, trabalhadores. “Eu sou X (insira uma profissão)”. “Eu trabalho na empresa Y”. “Vim para a capital estudar W”. “Meu pai é aposentado da empresa Z”. Parece que o meio profissional está sempre em primeiro plano, como se o restante do que a pessoa “é” estivesse apenas em volta de seu trabalho. Não é difícil compreender esse fenômeno quando percebemos que passamos a maior parte (cerca de 2/3) da nossa vida trabalhando.

Além disso, somos bombardeados o tempo todo com informações como “O mercado de trabalho está saturado. Para se sobressair, é preciso ter um diferencial profissional” ou “Não importa o quão cansado você esteja, nunca deixe de estudar e se aperfeiçoar, pois o mercado está cada vez mais competitivo”. Isso faz com que acreditemos que o trabalho só tem valor quando demanda suor, esforço, sacrifício. Mas não é bem assim. O trabalho, por ser estruturante e por tomar 2/3 do nosso tempo, deve, antes de mais nada, ser fonte de prazer.

Quando vemos sentido no nosso trabalho, quando o consideramos importante, quando gostamos do que fazemos, não existe a sensação de sacrifício (ou a sentimos com muito menos frequência). Quando não vemos esse sentido, pelo contrário, nossa atividade se torna automática, mecanizada, alienante. Em outras palavras, perdemos o “tesão” pelo trabalho e passamos a fazê-lo apenas porque ele deve ser feito. E a vida é muito curta para ser desperdiçada assim.

Trabalho

Sempre gostei do que faço. Minha profissão dá sentido à minha vida e contribui para eu me tornar quem eu sou. Por isso, durante muito tempo me acostumei a priorizar o trabalho em detrimento de outras áreas da minha vida. Quantas vezes saí da faculdade correndo e deixei de almoçar para não me atrasar para o trabalho, ou deixei de sair com meus amigos no final de semana porque precisava dormir e colocar em dia o sono perdido durante a semana. Eu achava que tudo isso valia a pena, pois estava me sacrificando em prol de algo maior, que era minha vida profissional.

Hoje, já não penso mais assim. Ou eu estou plenamente convencida de que algo faz sentido ou então não vale a pena investir minha energia nisso. Assim, tenho refletido mais sobre meus objetivos profissionais, sobre onde estou atualmente e sobre onde quero chegar na minha carreira. Antes, queria abraçar o mundo com minhas próprias mãos, dar passos largos para cruzar antes de todo mundo a linha de chegada. Porém, agora decidi frear a marcha com que estava trabalhando, aceitar as minhas limitações e seguir minha trajetória profissional com baby steps, obedecendo meu próprio ritmo. Se não der para abraçar o mundo agora, tudo bem.

* Imagens retiradas daqui e daqui.

Anúncios

3 comentários sobre “Sobre o trabalho

  1. Adorei a reflexão, Mari! Falei sobre algo parecido no blog, em que a gente se apresenta para as pessoas dizendo o que fazemos/estudamos. Nosso trabalho é como se fosse o nosso rótulo. Não é isso o que quero pra mim… Eu penso e repenso sobre o trabalho e sinto que preciso galgar coisas novas… Ainda não sei o que será, mas tô deixando a coisa acontecer e amadurecer dentro de mim!

    Curtir

    • Também estou nessa fase, Bruna. Talvez eu esteja percebendo agora que algumas escolhas profissionais que eu fiz não foram acertadas, e por isso ando repensando quais são meus objetivos, onde eu quero chegar e como conseguir isso sendo fiel aos meus princípios e ideais. Não é fácil, mas acredito que o primeiro passo já foi dado, que é sempre refletir e se questionar. Sucesso para nós nessa caminhada! 😉

      Curtir

  2. Pingback: Como foi meu 2015 + metas para 2016 | Frugalidades

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s