Eu não sou ninguém

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Eu não sou ninguém. Eu vim do nada. Meus pais não são famosos nem influentes. Eu não tenho um sobrenome que me dê vantagens. Eu não tenho contatos que me favoreçam e nunca consegui nada através de indicação (o famoso ~QI~).

Sempre fui acostumada a correr atrás dos meus sonhos com nada mais nada menos que a roupa do corpo e uma boa dose de esperança (porque dinheiro também nunca foi algo que sobrou). Aprendi a me virar e amadureci cedo, porque as responsabilidades chegaram antes da vida adulta.

Levar vantagem (como diz a famosa lei de Gerson) sobre outras pessoas não é algo que me deixa orgulhosa, que me diverte, que eu queira exibir como troféu. Fico triste, decepcionada e desesperançosa cada vez que vejo alguém se dando bem às custas de outra pessoa, simplesmente porque tem algum privilégio que o favoreça.

Aliás, privilégios eu tenho aos montes e os reconheço – sou branca, hétero, cis, tive acesso a educação de qualidade. Mas não acho natural alguém ser desfavorecido por não estar nessas mesmas condições. É comum, infelizmente. Mas não é natural.

Por isso, a cada dia mais tenho procurado questionar meus privilégios, repensar as vantagens que tive ao longo da vida. E, da mesma forma, continuar lutando pela igualdade, para que os privilégios de uns não prejudiquem aqueles que não os possuem.

Todos nós temos causas pelas quais lutamos (eu, por exemplo, já falei sobre feminismo aqui), mas mais importante que isso é não deslegitimar a causa do outro. Nós não sabemos o que é estar na pele do outro e sofrer as mazelas que o outro sofre. Nós todos viemos do nada e estamos lutando para conquistar a felicidade. Nós viemos do nada. Nós não somos ninguém. Eu não sou ninguém.

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* Imagens retiradas daqui e daqui.

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4 comentários sobre “Eu não sou ninguém

  1. Adorei esse texto e hoje tava pensando exatamente sobre os privilegios que tenho. Mesmo vindo de uma familia sem posses, sem nada, tenho uma vida bastante confortável, sem muitos luxos, mas que me permite fazer varias coisas e nao ha como nao ser grato por isso. E como voce, penso exatamente a mesma coisa sobre a desigualdade. e sobre beneficiar as custas dos outros: a vida é um bumerangue que volta pra gente. É o karma. Precisamos colher o que plantamos, sejam essas coisas boas ou ruins.

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    • Oi Bruna,
      Exatamente, às vezes perdemos tempo reclamando pelo que não temos e deixamos de apreciar o que nos foi dado. E da mesma forma, precisamos desenvolver mais empatia pelas pessoas que não tem os mesmos privilégios que nós. O mundo precisa de mais amor e empatia, definitivamente.
      Obrigada pela visita ❤

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