BEDA #12 – Precisamos falar sobre a masculinidade tóxica

Se você não estava em coma ou viajou para outro planeta nos últimos dias, provavelmente ficou sabendo sobre o que rolou no Big Brother. Para resumir, um dos participantes, Marcos Harter, além de praticar atitudes de violência psicológica e coerção, chegou a praticar atos de violência física, como imobilizar, encurralar, apertar, beijar à força, beliscar, etc., sua “namorada” dentro do reality, Emilly Araújo. Apenas após intervenção da Polícia Civil do Rio de Janeiro a Rede Globo se posicionou sobre o fato e expulsou Marcos do programa.

Após a repercussão do caso, muito tem se falado acerca de relacionamentos abusivos, o que é ótimo, já que a TV aberta tende a ser a única fonte de informação de muitas famílias pelo Brasil. Apesar de ser um assunto muito relevante, não é sobre isso que eu vim falar hoje, mas sim sobre uma das causas que levaram Marcos a ter tal comportamento dentro do reality: a masculinidade tóxica.

Ao agredir sua namorada no Big Brother, Marcos buscava, através do comportamento agressivo, exercer sua dominância e poder sobre uma mulher. Tanto é que, por diversas vezes ao longo do programa, o dedo indicador em riste e os gritos foram atitudes do Marcos para com outras mulheres além da Emilly. A ideia da “superioridade masculina” é algo tão enraizado na nossa sociedade que atitudes como essa tendem a passar despercebidas como algo normal.

O ideal cultural prega que a masculinidade deve ser externada na forma de comportamentos violentos, sexualidade exacerbada, agressividade. Enquanto isso, sensibilidade, emotividade e vulnerabilidade seriam descritos como comportamentos “femininos”. Nós vemos isso em filmes, novelas, desenhos animados, livros, etc. desde que nascemos e por isso somos moldados a pensar assim. Já parou pra pensar por que os brinquedos “de menino”são sempre voltados para competição, luta, agressividade, enquanto que os “de menina” se relacionam mais ao cuidado, às artes e à sensibilidade? Além de promover a cultura do estupro, a homofobia, o machismo e a misoginia, a tal “masculinidade” se torna tóxica para os próprios homens.

Enquanto nós mulheres somos incentivadas a sermos “belas, recatadas e do lar”, os homens são incentivados desde pequenos a saberem brigar, a exercer seu poder através da violência, a esconder suas emoções e a agir com frieza. Afinal de contas, ter coragem, enfrentar e afrontar são coisas “de homem”. Apesar de estarem em posição de privilégio na sociedade, os homens também sofrem pressão para se encaixarem no “modelo” de masculinidade. Já parou para pensar que o fato de os homens viverem menos, terem taxas mais altas de homicídio, suicídio e acidentes não é à toa? Nossos meninos são encorajados desde cedo a adotarem comportamentos de risco em prol de um ideal de masculinidade que, como qualquer ideal, nunca será plenamente alcançado.

Mas como podemos mudar essa realidade? A saída é uma só, tanto para homens quanto para mulheres: questionar, o tempo todo, os papéis de gênero que são naturalmente atribuídos a cada um de nós individualmente. Repensar, diariamente, nossas atitudes e os julgamentos que fazemos das atitudes dos outros. Educar nossas crianças para que sejam livres para desenvolverem suas potencialidades independentemente de padrões impostos. Atuar, lado a lado, em busca de um mundo mais justo e igualitário. Para todos. E todas.

* Imagens: 12

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