Minimalismo é uma questão de equilíbrio

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Para quem acompanha blogs de minimalismo e se interessa pelo assunto como um todo, é comum ver na internet relatos de pessoas que abandonaram a vida “padrão” que levavam e decidiram virar nômades digitais, ou mesmo construir uma vida mais pacata no interior. Meu intuito aqui não é invalidar esse tipo de experiência, pelo contrário, pois considero de uma coragem imensa abandonar um estilo de vida que fomos treinados a vida toda para desejar em prol de um propósito maior. Mas será que só assim é possível viver o minimalismo em sua essência?

Recentemente assisti ao tão falado documentário Minimalism: A Documentary About the Important Things. Pra quem não sabe, o documentário foca na turnê de lançamento de um livro escrito por dois blogueiros especializados em minimalismo. Ao longo do filme, outros minimalistas famosos também dão seus depoimentos. Em sua maioria, os relatos enaltecem alguns aspectos como ter um número limitado de objetos ou abandonar empregos com salários altos para viver uma vida minimalista. Enfim, achei o documentário ok, mas talvez por já pesquisar sobre o assunto há um bom tempo, não me acrescentou nada de mais e com certeza não mudou minha vida.

Além disso, depois do filme, me peguei pensando sobre essa espécie de “cobrança” que existe no mundo do minimalismo, como se viver em uma cidade grande, ou ter um emprego em horário comercial, ou ter uma coleção de objetos favoritos fossem motivos para confiscarem minha carteirinha de minimalista, hahah. Na minha percepção, não é bem assim. Não importa quantos objetos você tenha, ou quanto você ganhe, ou onde você viva, se tudo o que está na sua vida tem um propósito, então você pode se considerar minimalista.

Eu, por exemplo, moro em uma capital, tenho um trabalho “tradicional”, de carteira assinada e em horário comercial. Moro em um apartamento sem área externa e meus móveis não são brancos no estilo escandinavo. Quando chego em casa cansada, minha casa às vezes fica uma bagunça. E tudo bem, sabe? Nada isso faz de mim menos minimalista. Em primeiro lugar, porque o minimalismo é um exercício diário, ele nunca chega a um estado da arte, e sim está em constante construção. Em segundo lugar, porque as pessoas são diferentes e não acredito em nenhum estilo de vida que estipule regras a serem seguidas.

Por fim, gostaria de acrescentar um outro ponto de vista que nem sempre é mostrado: certas atitudes tidas como minimalistas podem, sim, ser bastante classistas. Já parou para pensar que renunciar a um estilo de vida confortável (com carro, salário alto, poder de compra) é um privilégio de poucos? A grande maioria da população nem sequer tem acesso a esse tipo de coisa. Acho insensato rotular algumas pessoas como “superficiais” ou até mesmo “egoístas” quando compram roupas em um fast fashion, por exemplo, sendo que este pode ser o único tipo de consumo a que elas têm acesso. Ao invés disso, não seria melhor difundir informações sobre como cuidar das roupas e fazê-las durarem mais? Nem todo mundo pode passar a consumir apenas cosméticos naturais e orgânicos porque essas coisas têm um custo muito mais alto, mas questionar a quantidade de produtos de beleza que se usa no dia-a-dia já seria um bom começo.

Em resumo, acho muito legal que o assunto minimalismo esteja se tornando mais conhecido do grande público e admiro qualquer iniciativa nesse sentido, como é o caso do documentário. Porém, como em qualquer outra coisa da vida, é preciso ter crítica e questionar todo tipo de “manual” que queira ditar regras e condições sobre como devemos viver. Não existe um conjunto de mandamentos que você precise seguir obrigatoriamente para adotar um estilo de vida mais simples, essa é uma decisão que só cabe a você. Minimalismo, para mim, é uma questão de escolha, de autocrítica e de muita reflexão, mas, sobretudo, é uma questão de equilíbrio.

* Imagem retirada daqui

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5 comentários sobre “Minimalismo é uma questão de equilíbrio

  1. O que eu acho “interessante” nesses minimalistas é que eles largam os empregos de 6 zeros, conforme eles informam, começam um blog, viajam pelo mundo dando palestras sobre o que é minimalismo, e pedem que os outros os sustentem porque eles abraçaram a vida minimalista. Especificamente no blog desses dois do documentário há uma entrada para doações porque eles não têm emprego fixo e precisam de ajuda financeira para manter o estilo de vida deles. Também quero viver assim, risos.

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      • E é exatamento isso que estou tentando trazer para o meu dia-a-dia: simplicidade, menos “necessidades”, mais qualidades, e nada de sair jogando tudo fora. Ao contrário de muita gente amo tudo o que tenho. E uso tudo o que tenho. Às vezes não com a frequência que gostaria, mas uso. Então, nada de jogar fora. Só usar e tudo bem.
        Abraços para vc!

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