Inspira. Expira. Não pira.

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Na semana passada, aconteceu um fato no meu trabalho que me deixou bastante chateada. A situação específica não vem ao caso, mas uma coisa que parecia pequena me tirou do prumo de uma forma que eu não esperava.

Todos nós passamos por momentos de crise em que tudo o que queremos é jogar tudo pro alto e falar “dane-se, eu não preciso disso”. Mas todos nós também sabemos que não é bem assim que as coisas funcionam. Ao receber uma crítica, por exemplo, é preciso filtrar aquilo que realmente se aplica, absorver os ensinamentos que aquela situação está te mostrando e seguir em frente, certo? Mas como se concentrar apenas no que é útil para nós, nas lições a serem aprendidas, e não no resto?

Percebi que se eu quisesse resolver as coisas no calor do momento, eu só teria piorado a situação. Pois bem. Como eu estava a ponto de perder o controle, o que eu fiz foi me afastar e não pensar naquilo por um tempo. Me concentrei nas tarefas que precisavam ser entregues naquele dia, terminei meu trabalho e fui para casa descansar. Passei um feriado prolongado ao lado das pessoas que eu mais amo no mundo, fizemos churrasco, bebemos, cantamos, dançamos.

Eu poderia ter ficado mais tempo remoendo o que aconteceu no trabalho, mas de propósito não fiquei. Depois desses dias, com a cabeça mais fresca, pensando com mais clareza e vendo as coisas de forma mais leve, com certeza vou encarar o problema de outra maneira.

Às vezes nós deixamos coisas pequenas demais estragarem momentos especiais e isso nos custa muito caro. Nem sempre é fácil, mas em situações como essa, o melhor a se fazer é não pensar mais no que está te fazendo mal. Deixar a poeira baixar, retomar o controle sobre a sua saúde mental e desconsiderar o que não vale a pena ser absorvido. “Se custa a sua paz, é caro demais”. Esse será meu novo mantra daqui pra frente. Cada vez mais vejo que é preciso ser filtro, não esponja.

 

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#GIRLBOSS e sua importância para o mundo dos negócios

5 Coisas que aprendi com girl boss

Ontem passei por uma experiência curiosa: navegando pela seção de negócios no site de uma livraria, me deparei com livros que contam sobre a vida e a carreira de diversos empreendedores e executivos bem sucedidos (Jack Welch, Steve Jobs, Neil Patel, Elon Musk, Jeff Bezos, Warren Buffet, Jorge Paulo Lemann, enfim, eu poderia ficar aqui por dias só citando nomes). Porém, entre tantos best sellers sobre homens de sucesso, uma única mulher: Sophia Amoruso e seu livro #GIRLBOSS.

Quem, assim como eu, está inserido nesse meio de startups e empreendedorismo provavelmente já se acostumou a ouvir sobre esses nomes e até mesmo suas histórias. Mas isso sempre me inquietou: será que não há nenhuma CEO ou fundadora cuja trajetória mereça ser contada? Ou será que, por serem mulheres, as editoras não querem contar essas histórias?

Já falei aqui que li o livro “Sonho Grande”, biografia de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, e não gostei. Nesse livro, as personagens femininas nem sequer têm nome (a não ser as esposas e filhas dos empresários), quem dirá voz. Aquilo me incomodou profundamente. Não consigo me identificar com esses caras, a história de vida deles não tem nada a ver com a minha. Foi então que, depois de muito ouvir falar sobre o livro, resolvi comprar #GIRLBOSS, autobiografia da já citada Sophia Amoruso e que conta sua trajetória desde que era uma garota-problema na adolescência até se tornar CEO de uma empresa que vale 100 milhões de dólares.

Sério, além de ser um dos livros mais inspiradores que eu já li, o grande diferencial de #GIRLBOSS é mostrar que qualquer mulher pode se destacar na carreira que escolheu, sendo responsável por seu próprio sucesso. À medida que eu ia avançando nas páginas, parece que a ficha ia caindo cada vez mais: “Ei, eu também posso fazer isso!”, “Putz, que dica legal!”, “meu Deus, isso é muito eu”. Relembrando essas sensações que tive quando li o livro, somado à experiência curiosa que tive no site da livraria, tive esse estalo: #GIRLBOSS é uma ilha de protagonismo feminino em um mar de livros de negócios feitos para homens.

É óbvio que mulheres também podem ler biografias de empreendedores e CEOs homens e tirar insights relevantes para suas carreiras. Mas #GIRLBOSS vai além, e por isso é tão inspirador para a mulher que o lê: porque gera identificação. Porque mostra uma mulher como protagonista de sua própria história, com os erros e acertos que isso possa trazer. Porque diz que está tudo bem ser ambiciosa, querer crescer profissionalmente, mirar o primeiro lugar. Falar sobre trabalho, carreira, dinheiro e sucesso especificamente para o público feminino é importante sim, é empoderador sim, pois ajuda a quebrar anos de uma doutrinação que diz que lugar de mulher é cuidando da casa, na cozinha. Não é. Lugar de mulher é onde ela quiser – de preferência, no topo.

* Imagem: blog Morando Sozinha

Eu e a cidade

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Não sei vocês, mas eu AMO andar pelas ruas observando a cidade. Todos os dias, quando estou a caminho do trabalho, passo de ônibus por um dos viadutos do Complexo da Lagoinha (para quem não é de BH, esse é um complexo viário que interliga três importantes avenidas no centro da cidade) e não consigo não me deixar hipnotizar pelos prédios ao redor — de fato, um belo horizonte.

Eu nasci no interior de Minas Gerais e, mesmo não sendo uma cidade muito pequena, eu ainda tinha uma sensação de constrição, um sentimento de oportunidades restritas. Parece que, quando eu olhava em volta, só via muros. Hoje, quando faço o mesmo exercício, vejo horizontes. Percebem a diferença?

Não tenho nada contra quem escolhe morar no interior, ou levar uma vida simples na roça, nada disso. Mas, para mim, morar em uma capital trouxe uma série de experiências que eu jamais poderia ter na minha cidade natal. É como se eu tivesse crescido com a sensação de que as possibilidades não terminavam ali e, de repente, tivesse criado asas para ir além do que eu conhecia.

Morar sozinha, enfrentar uma cidade grande com todas as suas dores e delícias, conquistar tudo o que eu sempre quis com meus próprios esforços, a sensação de ser independente e o orgulho de tudo o que construí até aqui, tudo isso me passa na cabeça ao olhar aqueles prédios altos da janela do ônibus. Não, não é só uma cidade. É muito mais que isso.

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* Primeira foto retirada daqui e a segunda de minha autoria

Sobre ser gorda

Há alguns dias vi um ensaio maravilhoso no Papo de Homem, onde a maravilhosa da Luísa Toledo fala sobre a experiência de ser fotografada nua mesmo não tendo um corpo dentro dos padrões:

O caminho dos nossos pequenos prazeres desprazeirosos, das nossas escolhas neuróticas pelo sofrimento diário de adequação, pede desconstrução! E tirar a roupa em uma sociedade de tabus, mostrar o corpo desconstruído da necessidade de agradar pode ser revolucionário, falo de uma revolução interna mesmo, não pretendo doutrinar ninguém.

Com o Jan, acredito que o exercício foi libertador, não me vi pelas lentes dele, consegui pela primeira vez em uma sessão de fotos me mostrar como sou, o que tenho de mais íntimo, minha casa, minhas cores, curvas, marcas e resquícios do caminho percorrido até aqui, meu corpo real que atravessa o olhar em uma sessão que simboliza o prazer de se sentir em casa dentro de si.

Mesmo com tanta maravilhosidade em forma de postagem, me deparei com um comentário (eu sei, não deveria ler os comentários, mas o Papo de Homem costuma ser um lugar chorume-free, então dei uma chance) que dizia simplesmente: “cs tão ligado que obesidade é uma doença né? altamente combatida pelo OMS (sic)”. 

Cara, como pode, né? Uma pessoa – ou várias, porque depois se seguiram outros comentários igualmente ofensivos e até piores – olhar para outra pessoa e só enxergar o que quer, no caso, um corpo doente. A Luísa, no caso uma mulher gorda, estava dando a cara a tapa e se colocando para o mundo de forma corajosa e empoderada, por se mostrar simplesmente como ela é. E vem um cara e reduz toda essa experiência apenas a “uma doença combatida pela OMS”. Ter me deparado com esse comentário foi algo que mexeu muito comigo, porque me jogou na cara o que é, para nossa sociedade, ser gordo, mas mais ainda, ser uma mulher gorda.

O corpo de uma mulher gorda nunca vai ser algo secundário. Ele sempre virá em primeiro lugar, antes mesmo de outros aspectos de sua personalidade, de sua competência profissional, de suas vontades, de sua essência, enfim, de quem ela é. Para a sociedade em que vivemos, o fato de uma mulher se sentir bem na própria pele é algo inaceitável. Se um corpo não se enquadra nos padrões, é preciso combatê-lo, moldá-lo, mutilá-lo e, finalmente, adequá-lo.

Não se engane, a preocupação com a saúde do gordo é uma falácia. Alguns problemas de saúde podem estar associados ao excesso de peso, mas obesidade não é sinônimo de doença, assim como magreza não é sinônimo de saúde. Sob o pretexto de cuidar da saúde física de uma pessoa, esse tipo de comentário pode contribuir para piorar a saúde mental dela. Como diz a Paola Altheia, do Não Sou Exposição:

A obesidade é um problema de saúde. No entanto, não podemos confundir: tratar a doença com atacar o portador. Pessoas obesas têm direito de sair em público, se amar, amar aos outros, fazer conquistas, namorar e…. DANÇAR! A vida não para porque estamos com excesso de peso. Todos os seres humanos têm sentimentos. Todos os seres humanos devem ser respeitados.

Para finalizar e tirar um pouco da bad deixada pelo comentário gordofóbico, deixo vocês com mais um ensaio maravilhoso onde eu só enxergo amor:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, atividades ao ar livre, água, close-up e natureza

* Imagens: 1 | 2 | 3

Quando se está uma bagunça

Eu quando preciso fazer algo e estou com preguiça.

Estou escrevendo esse post em pleno domingo à noite e, ao fundo, o som do Domingão do Faustão só me causa ainda mais bad. Talvez seja por influência de mercúrio retrógrado ou mesmo do eclipse solar que está por acontecer. Ou talvez os astros não tenham nada a ver com isso. Mas a verdade é que já faz algum tempo que eu estou uma bagunça, por dentro e por fora.

No ano passado, eu abri meu coração sobre as crises que estava tendo e a verdade é que recentemente algumas dessas sensações voltaram. Depois de uma fase muito boa profissionalmente, as coisas parece que começaram a andar para trás. Ando muito cansada e sem pique pra nada. Quando chega o final de semana, tudo o que eu quero é ficar quietinha em casa, na minha. Quando o final de semana acaba, me bate um desânimo de ter que começar tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, acho que esse post foi só uma forma de colocar um pouco pra fora o que venho sentindo ultimamente. Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo para se isolar do mundo e prestar atenção em nós mesmos, e é isso o que estou buscando fazer nesse momento. Às vezes a gente precisa entrar em contato com nossos monstrinhos interiores, remexer o lixo emocional que acumulamos, curtir um pouco a bad. Colocar o dedo na ferida para, depois, começar o processo de cura. Ser uma bagunça total para, então, se arrumar.

* Imagem retirada daqui

Amar é deixar ir

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A vida toda, fomos acostumados a pensar em sentimentos como uma forma de prisão. Quando gostamos de alguém, temos a tendência de nos referir à pessoa como sendo “nossa”. “Esse é meu namorado”, “ela é minha amiga”, “nossa, isso é a cara da minha mãe”. Só questão de semântica? Talvez. Mas hoje me peguei pensando nisso e em como nos referimos a quem a gente ama.

Porque amar está longe de ser um sentimento de posse. Claro que não pensei assim a vida toda, mas fui amadurecendo essa ideia aos poucos. As pessoas não nos pertencem, assim como não dá pra esperar que pessoas – essa misturinha de independência com sociabilidade – sejam ou ajam de acordo com o que esperamos.

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sou um pouco tímida e bastante introvertida. Não gosto de multidões e prefiro sempre estar entre poucas pessoas em quem confio, isso quando não prefiro estar sozinha. Assim como espero que os outros respeitem essa minha particularidade, tive que me acostumar com a ideia de que, às vezes, as pessoas vão se afastar. E com o tempo, eu entendi que tudo bem, sabe?

Voltando lá pro assunto do começo, não existe essa coisa de as pessoas pertencerem umas às outras. As pessoas entram nas nossas vidas e podem ter um papel importante ou não nelas, podem causar ou não impacto, podem ou não levar algo de nós com elas e, da mesma forma, podem ou não permanecer. É importante respeitar as decisões das pessoas – principalmente de quem a gente ama – mesmo que isso signifique não tê-las mais por perto.

O mundo muda, as circunstâncias mudam e as pessoas mudam com elas. Amar é entender que nem tudo vai continuar igual para sempre, nem tudo vai voltar a ser como era antes. E que tá tudo bem. Amar é respeitar as pessoas por suas decisões e seguir em frente, guardando na memória o tempo bom que foi vivido. Amar é ser livre e permitir que o outro também seja. Amar, muitas vezes, é deixar ir.

* Imagem retirada daqui

Minimalismo é uma questão de equilíbrio

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Para quem acompanha blogs de minimalismo e se interessa pelo assunto como um todo, é comum ver na internet relatos de pessoas que abandonaram a vida “padrão” que levavam e decidiram virar nômades digitais, ou mesmo construir uma vida mais pacata no interior. Meu intuito aqui não é invalidar esse tipo de experiência, pelo contrário, pois considero de uma coragem imensa abandonar um estilo de vida que fomos treinados a vida toda para desejar em prol de um propósito maior. Mas será que só assim é possível viver o minimalismo em sua essência?

Recentemente assisti ao tão falado documentário Minimalism: A Documentary About the Important Things. Pra quem não sabe, o documentário foca na turnê de lançamento de um livro escrito por dois blogueiros especializados em minimalismo. Ao longo do filme, outros minimalistas famosos também dão seus depoimentos. Em sua maioria, os relatos enaltecem alguns aspectos como ter um número limitado de objetos ou abandonar empregos com salários altos para viver uma vida minimalista. Enfim, achei o documentário ok, mas talvez por já pesquisar sobre o assunto há um bom tempo, não me acrescentou nada de mais e com certeza não mudou minha vida.

Além disso, depois do filme, me peguei pensando sobre essa espécie de “cobrança” que existe no mundo do minimalismo, como se viver em uma cidade grande, ou ter um emprego em horário comercial, ou ter uma coleção de objetos favoritos fossem motivos para confiscarem minha carteirinha de minimalista, hahah. Na minha percepção, não é bem assim. Não importa quantos objetos você tenha, ou quanto você ganhe, ou onde você viva, se tudo o que está na sua vida tem um propósito, então você pode se considerar minimalista.

Eu, por exemplo, moro em uma capital, tenho um trabalho “tradicional”, de carteira assinada e em horário comercial. Moro em um apartamento sem área externa e meus móveis não são brancos no estilo escandinavo. Quando chego em casa cansada, minha casa às vezes fica uma bagunça. E tudo bem, sabe? Nada isso faz de mim menos minimalista. Em primeiro lugar, porque o minimalismo é um exercício diário, ele nunca chega a um estado da arte, e sim está em constante construção. Em segundo lugar, porque as pessoas são diferentes e não acredito em nenhum estilo de vida que estipule regras a serem seguidas.

Por fim, gostaria de acrescentar um outro ponto de vista que nem sempre é mostrado: certas atitudes tidas como minimalistas podem, sim, ser bastante classistas. Já parou para pensar que renunciar a um estilo de vida confortável (com carro, salário alto, poder de compra) é um privilégio de poucos? A grande maioria da população nem sequer tem acesso a esse tipo de coisa. Acho insensato rotular algumas pessoas como “superficiais” ou até mesmo “egoístas” quando compram roupas em um fast fashion, por exemplo, sendo que este pode ser o único tipo de consumo a que elas têm acesso. Ao invés disso, não seria melhor difundir informações sobre como cuidar das roupas e fazê-las durarem mais? Nem todo mundo pode passar a consumir apenas cosméticos naturais e orgânicos porque essas coisas têm um custo muito mais alto, mas questionar a quantidade de produtos de beleza que se usa no dia-a-dia já seria um bom começo.

Em resumo, acho muito legal que o assunto minimalismo esteja se tornando mais conhecido do grande público e admiro qualquer iniciativa nesse sentido, como é o caso do documentário. Porém, como em qualquer outra coisa da vida, é preciso ter crítica e questionar todo tipo de “manual” que queira ditar regras e condições sobre como devemos viver. Não existe um conjunto de mandamentos que você precise seguir obrigatoriamente para adotar um estilo de vida mais simples, essa é uma decisão que só cabe a você. Minimalismo, para mim, é uma questão de escolha, de autocrítica e de muita reflexão, mas, sobretudo, é uma questão de equilíbrio.

* Imagem retirada daqui