Amar é deixar ir

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A vida toda, fomos acostumados a pensar em sentimentos como uma forma de prisão. Quando gostamos de alguém, temos a tendência de nos referir à pessoa como sendo “nossa”. “Esse é meu namorado”, “ela é minha amiga”, “nossa, isso é a cara da minha mãe”. Só questão de semântica? Talvez. Mas hoje me peguei pensando nisso e em como nos referimos a quem a gente ama.

Porque amar está longe de ser um sentimento de posse. Claro que não pensei assim a vida toda, mas fui amadurecendo essa ideia aos poucos. As pessoas não nos pertencem, assim como não dá pra esperar que pessoas – essa misturinha de independência com sociabilidade – sejam ou ajam de acordo com o que esperamos.

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sou um pouco tímida e bastante introvertida. Não gosto de multidões e prefiro sempre estar entre poucas pessoas em quem confio, isso quando não prefiro estar sozinha. Assim como espero que os outros respeitem essa minha particularidade, tive que me acostumar com a ideia de que, às vezes, as pessoas vão se afastar. E com o tempo, eu entendi que tudo bem, sabe?

Voltando lá pro assunto do começo, não existe essa coisa de as pessoas pertencerem umas às outras. As pessoas entram nas nossas vidas e podem ter um papel importante ou não nelas, podem causar ou não impacto, podem ou não levar algo de nós com elas e, da mesma forma, podem ou não permanecer. É importante respeitar as decisões das pessoas – principalmente de quem a gente ama – mesmo que isso signifique não tê-las mais por perto.

O mundo muda, as circunstâncias mudam e as pessoas mudam com elas. Amar é entender que nem tudo vai continuar igual para sempre, nem tudo vai voltar a ser como era antes. E que tá tudo bem. Amar é respeitar as pessoas por suas decisões e seguir em frente, guardando na memória o tempo bom que foi vivido. Amar é ser livre e permitir que o outro também seja. Amar, muitas vezes, é deixar ir.

* Imagem retirada daqui
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Pausa

Pausa

Estou passando por momentos difíceis na minha vida, ando cansada e sem energia para fazer até mesmo as coisas mais simples do dia-a-dia. Resolvi dar uma pausa para colocar os pensamentos em ordem, por isso essa semana não tem leituras da semana e o update sobre como anda o projeto 30 dias de minimalismo. Quando voltar, pretendo postar com mais frequência e dedicação, mas para isso preciso descansar um pouco. Espero que vocês entendam.

Um desabafo

Bike

Minha jornada de trabalho é de nove horas por dia. Contando com o horário de almoço, fico nas dependências da empresa dez horas por dia, de segunda à sexta. Porém, para chegar no trabalho às 7:30, preciso acordar às 5:00 para ter tempo de me arrumar e pegar o ônibus. Quando saio do trabalho, pego trânsito até chegar em casa, o que faz com que o tempo de deslocamento seja de cerca de duas horas. Se for somar todo esse tempo, pode-se dizer que mais de 14 horas do meu dia giram em torno do trabalho. Ou seja, me sobram apenas 10 horas. Se diminuir o tempo de sono – isso porque não durmo as oito horas diárias recomendadas –, tenho apenas quatro ou cinco horas para fazer todo o resto (preparar as refeições, brincar com minha gatinha, arrumar a casa, namorar, acessar internet, postar no blog, assistir televisão, ler, descansar…).

Há alguns meses, fui com a minha irmã no Hemocentro para doar sangue pela primeira vez. Como ela já havia doado antes, perguntei algo que não me lembro mais sobre o atestado que eles dão, e ela me respondeu que não sabia, pois nunca tinha pedido atestado, já que nunca precisou prestar contas dos horários dela (ela é estudante de pós-graduação). Essa fala tocou algo profundo em mim, algo que até então não havia me dado conta. No meu dia-a-dia de assalariada, tenho vivido refém dessa prestação de contas e isso é algo que me incomoda muito.

Tenho refletido bastante sobre a qualidade de vida que almejo ter – e sobre a que minha realidade permite. O que é qualidade de vida, para mim, hoje? Se eu não precisasse fazer nada, o que eu gostaria de fazer? A rotina de vida que levo hoje contribui para que eu alcance meus objetivos pessoais a longo prazo? Eu tenho vivido uma vida leve como gostaria?

Eu queria poder acordar naturalmente, sem despertador, e trabalhar noite a dentro, pois funciono – e produzo – melhor nesse horário. Queria trabalhar em home office, me livrar da necessidade de usar transporte público e do tempo desperdiçado com ele. Queria poder ir ao banco ou resolver qualquer outra pendência sempre que precisasse, sem ter que me justificar para outra pessoa. Queria poder dar um pause nas tarefas, dar uma volta no quarteirão, fazer um lanche mais caprichado, e depois voltar ao trabalho com ânimo renovado. Queria poder trabalhar de shorts no verão e de moletom no inverno. Queria trabalhar em uma atividade na qual eu visse sentido e sentisse que estava fazendo a diferença. Não queria acumular riquezas, apenas conforto.

É claro que não posso simplesmente jogar tudo para o alto e viver a vida que eu descrevi ali em cima (ou pelo menos não posso agora). Ainda estou no ínicio da minha carreira, tenho muito a aprender e não vou simplesmente abandonar um emprego que foi tão difícil conseguir. Mas esse tipo de reflexão é fundamental para que eu possa me conhecer mais e saber que profissional eu gostaria de ser no futuro. Entendo que o “mundo ideal” não existe, mas posso continuar buscando formas de viver a vida de maneira mais próxima dos meus valores e objetivos. E incluir mais leveza no meu dia-a-dia, pois está faltando.

(Post inspirado nesse depoimento sincero da Rosana)

* Imagem retirada daqui