Amar é deixar ir

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A vida toda, fomos acostumados a pensar em sentimentos como uma forma de prisão. Quando gostamos de alguém, temos a tendência de nos referir à pessoa como sendo “nossa”. “Esse é meu namorado”, “ela é minha amiga”, “nossa, isso é a cara da minha mãe”. Só questão de semântica? Talvez. Mas hoje me peguei pensando nisso e em como nos referimos a quem a gente ama.

Porque amar está longe de ser um sentimento de posse. Claro que não pensei assim a vida toda, mas fui amadurecendo essa ideia aos poucos. As pessoas não nos pertencem, assim como não dá pra esperar que pessoas – essa misturinha de independência com sociabilidade – sejam ou ajam de acordo com o que esperamos.

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sou um pouco tímida e bastante introvertida. Não gosto de multidões e prefiro sempre estar entre poucas pessoas em quem confio, isso quando não prefiro estar sozinha. Assim como espero que os outros respeitem essa minha particularidade, tive que me acostumar com a ideia de que, às vezes, as pessoas vão se afastar. E com o tempo, eu entendi que tudo bem, sabe?

Voltando lá pro assunto do começo, não existe essa coisa de as pessoas pertencerem umas às outras. As pessoas entram nas nossas vidas e podem ter um papel importante ou não nelas, podem causar ou não impacto, podem ou não levar algo de nós com elas e, da mesma forma, podem ou não permanecer. É importante respeitar as decisões das pessoas – principalmente de quem a gente ama – mesmo que isso signifique não tê-las mais por perto.

O mundo muda, as circunstâncias mudam e as pessoas mudam com elas. Amar é entender que nem tudo vai continuar igual para sempre, nem tudo vai voltar a ser como era antes. E que tá tudo bem. Amar é respeitar as pessoas por suas decisões e seguir em frente, guardando na memória o tempo bom que foi vivido. Amar é ser livre e permitir que o outro também seja. Amar, muitas vezes, é deixar ir.

* Imagem retirada daqui

BEDA #17 – Sobre enfrentar medos

"Seja para os que fogem ou para os que buscam, há um retorno, ainda que impreciso, a um lugar bem conhecido." Érico Verissímo:

Há alguns dias, tive uma reunião importante com meu chefe (não meu chefe direto, com quem tenho mais proximidade e por isso me sinto à vontade, mas com o diretor da empresa). Ele não é uma pessoa exatamente fácil de se lidar e, justamente por isso, me sentia muito intimidada por ele. Na véspera da conversa, tive uma crise de ansiedade por causa do medo que sentia de – adivinhem? – perder o controle emocional na frente dele. Ou seja, por medo de perder o controle, acabei perdendo o controle antes mesmo que qualquer coisa acontecesse.

Acontece que nossa conversa foi ótima, muito melhor do que eu esperava. E de tudo isso, tirei uma lição importante: nós precisamos enfrentar nossos medos. Não estou falando de correr riscos desnecessários, claro. Mas nesse caso, o que de pior poderia acontecer? Eu não deveria ter me preocupado tanto e sofrido por antecipação. Ter tido a coragem de conversar francamente com meu chefe, ouvir o que ele tinha para me dizer e falar o que eu estava sentindo foi uma das melhores decisões que já tomei na minha carreira.

A verdade é que precisamos entrar em contato com o que nos intimida mais vezes. Explorar o medo, entender porque ele nos assusta tanto e enfrentá-lo. Às vezes o medo se torna uma barreira entre nós e nossos sonhos, e somente enfrentando o que nos assusta é que conseguimos quebrá-la. Assim, da próxima vez que nos deparamos com uma situação parecida, ela já não causará o mesmo impacto em nós.

Pode parecer uma bobagem à primeira vista, mas essa forma de ver as coisas faz muito sentido. Você tem medo de ter uma conversa difícil com quem quer que seja? Vá lá e converse. Ouça o que o outro tem a dizer e não perca a oportunidade de se abrir também. Você tem medo de falar em público? Procure se envolver em situações que exijam essa habilidade. Se ofereça para dar uma palestra, presidir uma reunião, fazer uma apresentação importante. Quanto mais nos expomos às contingências, mais fácil se tornará lidar com elas.

A vida é maravilhosa quando não se tem medo dela. – Charles Chaplin

* Imagem retirada daqui

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BEDA #13 – Uma carta para a eu do passado

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Querida Mari,

Oi, eu sou você daqui a 10 anos. Eu sou você depois de passar pelas dificuldades e incerteza da adolescência. Eu sou você depois de conhecer um mundo além dos limites da sua cidade do interior. Eu sou você depois de superar grandes adversidades e hoje posso dizer: nós sobrevivemos.

Muitas pessoas passaram pela nossa vida nesses 10 anos, muitas mesmo. Algumas permanecem até hoje, outras não mais. Dessas, algumas deixaram saudades, outras não. Com o tempo, você vai aprender a distinguir as pessoas que merecem ficar do seu lado, e se afastar das que não querem o seu bem. Isso é uma coisa interessante: nesse tempo que se passou, você aprendeu a se afastar, desapegar, deixar ir. Entendeu que esse é o ciclo natural da vida e não tem porque manter algo que não te empurra pra frente.

Não vou mentir para você, passar por tudo isso não foi fácil. Você se deparou com momentos em que precisou ser forte, levantar a cabeça e tomar uma decisão. Foi preciso sair de sua zona de conforto várias vezes e enfrentar o que antes você temia. Mas isso te fez muito bem, sabe? Te tornou mais corajosa, mais dona do seu destino.

Muitas coisas boas fizeram parte da sua história nesses anos. Você encontrou muitos motivos pelos quais continuar dia após dia vale a pena. Você encontrou amigos que te ajudaram quando você precisou e mestres que te ensinaram lições valiosas. Você aprendeu a ouvir seus pais com empatia e carinho, inclusive quando não concorda com eles. Você entendeu o verdadeiro significado da palavra família.

Você deixou de lado muitos dos rótulos em que você teimava em se encaixar. Não, você não precisa se encaixar. Você não precisa agir da forma que as pessoas esperam que você aja. Você não precisa mudar quem você é para agradar a outras pessoas. Claro que isso é um processo e nunca acaba, mas te garanto que ao longo do tempo foi ficando mais fácil.

Hoje, Mari, você tem um relacionamento que ultrapassa manuais de conquista e te permite se apaixonar todos os dias pelo mesmo homem. Assim, sem dificuldade nenhuma, simplesmente pelo fato de ter do seu lado alguém que você admira em todos os sentidos. Você descobriu sua “vocação” e descobriu que pode trabalhar com o que ama, com propósito, com paixão. Você adotou a Luna, uma gatinha preta que te ensinou a ver a vida com mais leveza e a cuidar de outro ser com o mesmo amor que cuida de si mesma.

Se eu pudesse te dar um único conselho, seria: dê tempo ao tempo. As suas dificuldades não serão as mesmas para sempre. Você vai mudar, o mundo vai mudar, e as coisas vão entrando nos eixos aos poucos. Você tem uma força interior absurda, não deixe nunca que alguém te convença do contrário. Você vai ser feliz, apesar de tudo. Nós vamos. ❤

Com amor,
Mari

* Imagem retirada daqui

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BEDA #12 – Precisamos falar sobre a masculinidade tóxica

Se você não estava em coma ou viajou para outro planeta nos últimos dias, provavelmente ficou sabendo sobre o que rolou no Big Brother. Para resumir, um dos participantes, Marcos Harter, além de praticar atitudes de violência psicológica e coerção, chegou a praticar atos de violência física, como imobilizar, encurralar, apertar, beijar à força, beliscar, etc., sua “namorada” dentro do reality, Emilly Araújo. Apenas após intervenção da Polícia Civil do Rio de Janeiro a Rede Globo se posicionou sobre o fato e expulsou Marcos do programa.

Após a repercussão do caso, muito tem se falado acerca de relacionamentos abusivos, o que é ótimo, já que a TV aberta tende a ser a única fonte de informação de muitas famílias pelo Brasil. Apesar de ser um assunto muito relevante, não é sobre isso que eu vim falar hoje, mas sim sobre uma das causas que levaram Marcos a ter tal comportamento dentro do reality: a masculinidade tóxica.

Ao agredir sua namorada no Big Brother, Marcos buscava, através do comportamento agressivo, exercer sua dominância e poder sobre uma mulher. Tanto é que, por diversas vezes ao longo do programa, o dedo indicador em riste e os gritos foram atitudes do Marcos para com outras mulheres além da Emilly. A ideia da “superioridade masculina” é algo tão enraizado na nossa sociedade que atitudes como essa tendem a passar despercebidas como algo normal.

O ideal cultural prega que a masculinidade deve ser externada na forma de comportamentos violentos, sexualidade exacerbada, agressividade. Enquanto isso, sensibilidade, emotividade e vulnerabilidade seriam descritos como comportamentos “femininos”. Nós vemos isso em filmes, novelas, desenhos animados, livros, etc. desde que nascemos e por isso somos moldados a pensar assim. Já parou pra pensar por que os brinquedos “de menino”são sempre voltados para competição, luta, agressividade, enquanto que os “de menina” se relacionam mais ao cuidado, às artes e à sensibilidade? Além de promover a cultura do estupro, a homofobia, o machismo e a misoginia, a tal “masculinidade” se torna tóxica para os próprios homens.

Enquanto nós mulheres somos incentivadas a sermos “belas, recatadas e do lar”, os homens são incentivados desde pequenos a saberem brigar, a exercer seu poder através da violência, a esconder suas emoções e a agir com frieza. Afinal de contas, ter coragem, enfrentar e afrontar são coisas “de homem”. Apesar de estarem em posição de privilégio na sociedade, os homens também sofrem pressão para se encaixarem no “modelo” de masculinidade. Já parou para pensar que o fato de os homens viverem menos, terem taxas mais altas de homicídio, suicídio e acidentes não é à toa? Nossos meninos são encorajados desde cedo a adotarem comportamentos de risco em prol de um ideal de masculinidade que, como qualquer ideal, nunca será plenamente alcançado.

Mas como podemos mudar essa realidade? A saída é uma só, tanto para homens quanto para mulheres: questionar, o tempo todo, os papéis de gênero que são naturalmente atribuídos a cada um de nós individualmente. Repensar, diariamente, nossas atitudes e os julgamentos que fazemos das atitudes dos outros. Educar nossas crianças para que sejam livres para desenvolverem suas potencialidades independentemente de padrões impostos. Atuar, lado a lado, em busca de um mundo mais justo e igualitário. Para todos. E todas.

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BEDA #7 – Por que parei com o anticoncepcional

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Quando eu era adolescente, tinha uma série de problemas relacionados a hormônios: meu ciclo menstrual era totalmente desregulado, tinha cólicas fortes, acne, pele oleosa e excesso de pelos no corpo. Depois de passar seis meses sem menstruar, fui à ginecologista e fiz um ultrassom para detectar possíveis cistos no ovário. Como não houve alteração no exame, ficou muito no ar o que eu tinha, e mesmo assim a médica me receitou a pílula anticoncepcional. Usei Selene durante cerca de 10 anos da minha vida e, apesar de ter resolvido os problemas acima, não estava feliz.

Foi quando comecei a ler na internet relatos de pessoas que sofreram problemas graves com os efeitos colaterais da pílula, como trombose e AVC. Apesar de não ser algo comum (cerca de 2 mulheres a cada 10 mil têm tromboembolismo), trata-se de um risco do qual nós mulheres quase nunca somos alertadas pelos médicos (seu médico te pediu algum exame complementar antes de receitar a pílula? Pois é, os meus também não). Sim, o risco existe, e se agrava quando falamos de condições e hábitos relativamente comuns na população, como fumo, consumo de álcool, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, etc..

Por isso, resolvi dar uma pausa no anticoncepcional. A verdade é que eu comecei a tomar pílula quando tinha apenas 15 anos. Meu corpo ainda estava em formação, sabe? Eu nunca tinha tido a chance de o conhecer de verdade até então. Resolvi que era preciso conhecer meu corpo e meu ciclo como eles realmente são, sem hormônios sintéticos. Claro que, logo nos primeiros meses, aqueles problemas chatinhos da adolescência voltaram com tudo. Eu engordei, minha pele e cabelo ficaram uó, o ciclo menstrual se desregulou, as cólicas voltaram. Mas eu estava – e ainda estou – decidida a tratar todos eles de maneira natural. Depois de um tempo, meu corpo se acostumou e voltou a funcionar perfeitamente. Hoje conheço mais sobre o meu próprio corpo e sei reconhecer cada fase do meu ciclo (e lidar com elas), o que pra mim já é motivo suficiente para entender que fiz a escolha certa.

Não quero demonizar a pílula, pelo contrário. Sua criação teve um peso enorme na emancipação feminina e na autonomia das mulheres sobre seus próprios corpos. Porém, não devemos descartar o fato de que a indústria farmacêutica tem peso sobre o quê e como os médicos nos receitam. Pesquisei muito sobre o assunto, pensei e repensei sobre todos os aspectos, coloquei na balança prós e contras, e cheguei à conclusão de que, para mim, a pílula não é mais a melhor opção. Em suma, o que eu quero dizer é: é muito importante que você, enquanto paciente, questione tudo, composição, efeitos colaterais, riscos e benefícios de cada método indicado pelo seu médico. Afinal, desde que bem orientada, a escolha do método contraceptivo mais adequado para cada mulher deve ser dela mesma.

* Imagem retirada daqui

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BEDA #5 – O que eu aprendi com a escola pública

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Eu estudei em escola pública durante toda minha vida, desde o jardim de infância até o ensino superior. Meu primeiro contato com a educação formal se deu através de uma escola municipal, na minha cidade no interior. Em seguida, ingressei em uma escola estadual onde cursei todo o ensino fundamental (na época, da 1ª à 8ª série). Passei no processo seletivo de uma escola técnica federal, onde cursei o ensino médio junto com um curso técnico. Depois do tão temido vestibular, vim para Belo Horizonte estudar em uma universidade federal.

Na escola municipal, tive os primeiros contatos com figuras de autoridade que não eram meus pais. De repente, me vi obrigada a obedecer adultos que eu não conhecia, usar uniforme, comer e brincar com hora marcada, andar em fila, pedir autorização para levantar e ir ao banheiro (sempre me lembro desse conto do Marcelo Coelho quando penso nisso). Também tive contato com os primeiros preconceitos (“não anda com ela, ela tem piolho”), apanhei de crianças mais velhas, sofri bullying. Aprendi a ler e a escrever, aprendi que existe banheiro “de menina” e “de menino”, aprendi alguns palavrões, mas que eu não podia falar.

Playground Colorido para crianças:

Fui “adiantada” para a primeira série do Ensino Fundamental (alguma coisa a ver com a minha data de nascimento, não sei bem) e desde cedo me acostumei a ser sempre uma das mais novas da sala. Já não tinha mais hora da soneca e nós brincávamos muito menos. Um dia, gastei o dinheiro do lanche comprando uma rifa, sem nem sequer saber o que era “rifa”. Só eu e outra menina da sala – a mais bonita e popular – compramos a tal rifa. Quando a professora foi entregar o prêmio, ela perguntou pro restante da sala quem eles achavam que havia ganhado e só um menino, o mais rejeitado e excluído, achava que tinha sido eu. Então, contrariando todas as expectativas – eu sempre fui um azarão mesmo -, a professora pediu para que ele viesse me entregar o prêmio, já que eu é quem tinha ganhado a rifa. Rá, um belo plot twist.

De 1ª a 8ª série, a gente teoricamente deve aprender os principais conceitos de língua portuguesa, matemática, ciência, história e geografia (eu também tinha aula de ensino religioso, antes da qual sempre rezávamos um Pai Nosso e uma Ave Maria – os evangélicos ficavam em silêncio enquanto isso). Convivi com problemas típicos do ensino público no Brasil: greves de professores, merenda ruim, falta de material, etc.. Os professores não tinham condições de controlar dezenas de crianças e adolescentes eufóricos e ativos, pois estavam cansados de suas jornadas duplas, às vezes triplas, para compensar os salários baixos. As crianças e adolescentes estavam cansadas de um modelo educacional que não muda desde a Idade Média. Todo jovem tem sede de descobrir as coisas na prática, de estar ao ar livre, de estímulos audio-visuais, e essas coisas não combinam com as salas de aula fechadas, o quadro e o giz. Frequentemente havia episódios de indisciplina, violência, bullying. É muito difícil aprender – absorver e memorizar conteúdos – nessas condições.

Tive sorte de cursar o Ensino Médio na melhor escola pública da cidade. Como todo ambiente que resulta de um processo seletivo, havia muito menos diversidade – pouquíssimos negros, por exemplo – que na escola anterior . Os professores eram mais bem remunerados, eram experts em suas áreas de atuação, alguns com mestrado e doutorado. Eles nos enxergavam muito mais como indivíduos, como sujeitos, como autônomos. Ainda existiam normas e proibições, claro (se pegassem alguém namorando na escola, ligavam para os pais – todo mundo morria de medo disso), mas foi lá que aprendi a ter crítica em relação aos conteúdos que eram passados e ao próprio modelo de ensino.

Às vezes me arrependo de não ter tirado mais proveito da educação que recebi nessa escola, pois confesso que eu era meio relapsa com os estudos. Sobretudo, sei que fui muito privilegiada. Por mais que a rotina do ensino médio + curso técnico + estágio fosse puxada, eu não tinha que trabalhar 44h semanais para complementar a renda da minha família, como a maioria dos jovens do nosso país. Meus pais me garantiam o básico necessário para que eu me dedicasse somente à escola. Assim, consegui estudar e passei de primeira no vestibular para uma universidade federal (de novo, isso se chama privilégio. Não tem nada a ver com meritocracia, não podemos esquecer em momento algum disso).

Posso não ter absorvido grande parte dos conteúdos passados em sala de aula (Como é que se multiplica frações? Qual a capital do Camboja? Quanto é um mol? Se algum dia aprendi, hoje não me lembro mais), mas com certeza aprendi muito nesses anos todos de escola pública. Aprendi a conviver com as diferenças de raça, religião, classe social. Aprendi sobre desigualdade e privilégios. Aprendi sobre amizade e sobre amor. Aprendi sobre respeito e sobre tolerância. Aprendi a andar com meus próprios passos. Aprendi sobre a vida real, com todas as suas dores e delícias.

Lamento muito que nossa educação pública não seja de qualidade, e isso é algo pelo qual todos nós devemos lutar – votando certo, nos informando, cobrando os responsáveis, nos voluntariando para ajudar. Mas valorizo as lições que aprendi nos bancos da escola pública, mesmo não estando nas cartilhas e nos livros: são valores que carregarei para sempre comigo.

* Imagens retiradas daqui, daqui, daqui e daqui.

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O que é felicidade para você?

No feriado de Carnaval, aproveitei para ficar em casa e me integrar ao bloco “Unidos da Netflix”. Estava a fim de assistir algum documentário (adoro esse estilo) e, na busca, me deparei com o filme Happy. A obra de 2011 se propõe a investigar, pelos quatro cantos do mundo, o que é a felicidade genuína quais as causas que nos levam até ela (assistam, é muito legal!).

A parte do filme que mais me chamou a atenção é quando falam que nossa felicidade é determinada 50% por aspectos genéticos, 10% por circunstâncias como onde se vive, idade, status social, bens materiais, etc. e, pasme, 40% por ações intencionais (ou seja, por coisas que escolhemos fazer).

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Fiquei pensativa sobre o tema (adoro documentários porque eles causam isso em mim) e resolvi refletir sobre o que a felicidade significa para mim. Em um sentido mais amplo, acredito que a felicidade está em viver uma vida tranquila, com poucas preocupações, sem ansiedade, sem pressa.

Depois disso, fiquei pensando sobre alguns aspectos da minha vida que poderiam ser diferentes, coisas que eu poderia fazer para tornar meu dia-a-dia mais leve e feliz. Cheguei à conclusão de que algumas coisas só dependem de mim mesma para mudarem e resolvi listar algumas ações que pretendo colocar em prática:

  • Ouvir mais músicas calmas e relaxantes
  • Cuidar mais de mim mesma e do meu bem estar
  • Meditar e acalmar a mente com mais frequência
  • Voltar mais cedo e não trazer trabalho para casa
  • Aprender a filtrar as coisas ruins e absorver as boas
  • Me afastar de pessoas tóxicas (e não me deixar influenciar por aquelas de quem não posso me afastar)
  • Transformar preocupações em ações práticas – e depois relaxar
  • Me comunicar de forma não-violenta
  • Gastar menos dinheiro com coisas, e mais com experiências
  • Prestar mais atenção às belezas do dia-a-dia
  • Passar mais tempo de qualidade com as pessoas que eu amo

Algumas vezes nós nos deixamos atropelar pela rotina e acabamos não tomando o controle sobre as nossas próprias ações. Por isso, é sempre importante retomar essa reflexão e começar a agir de maneiras que nos aproximem mais do que entendemos por felicidade. Só depende de nós mesmos 😉

* Imagens retiradas daqui e daqui