Casa (im)perfeita

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Eu cresci em um lar onde os conceitos de “certo” e “errado” eram muito bem definidos. Minha mãe, dona de casa exemplar e apaixonada por limpeza e organização, até hoje acorda às sete da manhã e só para de trabalhar na arrumação da casa às sete da noite, quando vai tomar banho e assistir suas novelas favoritas.

Durante muito tempo eu acreditei que essa forma de lidar com a casa era o “jeito certo”: os cômodos precisavam estar sempre impecavelmente arrumados, os móveis limpos e sem poeira, a cama feita, as almofadas dispostas paralelamente, e por aí vai. A minha vida toda eu ouvi que era bagunceira porque manter as coisas assim não era o meu instinto natural.

Minha visão só mudou quando eu saí da casa dos meus pais e fui morar sozinha. É claro que nunca é fácil quando você precisa lidar com os serviços domésticos pela primeira vez. Só aí você descobre a utilidade de cada produto de limpeza (e também o quanto eles custam caro!), vê a importância de manter suas coisas minimamente limpas e organizadas, a louça lavada e guardada, etc.. Porém, vi que nada de grave vai acontecer se eu deixar a poeira acumular sobre os móveis por uns dias. Que a louça não precisa ser lavada imediatamente depois do jantar. Que ninguém vai morrer se eu sair pra trabalhar sem arrumar a cama.

A verdade é que a sociedade em que vivemos cobra muito de nós, mulheres, para que sejamos profissionais competentes no escritório, mas também donas de casa exemplares que mantêm tudo em ordem no lar. Essa jornada dupla (às vezes tripla, quádrupla, quando pensamos em mulheres que estudam, que cuidam dos filhos) é bastante cruel porque exige uma perfeição em todas as áreas de nossas vidas que na real é inalcançável.

Durante muito tempo eu pensei que precisava dar conta de tudo e acabava me sentindo culpada quando, obviamente, eu não dava. Minha rotina é muito diferente da de alguém com dedicação full time para cuidar da casa (observem: nem melhor, nem pior, apenas diferente). Ao contrário da minha mãe, que gosta de arrumar a casa, a maioria dos trabalhos domésticos para mim são mera obrigação. Será mesmo que, depois de uma semana longa e cansativa de trabalho, eu preciso gastar meu sábado inteiro fazendo faxina ao invés de descansar, assistir um filme, ler um livro?

Não estou fazendo aqui uma ode à casa zoneada, ao lixo e à poeira acumulados, nada disso. O que eu quero dizer é que minha casa reflete como eu sou e, como eu, é cheia de imperfeições, de coisas que não saem conforme o esperado. Não é uma casa de capa de revista. E tudo bem. Se nós queremos chamar de lar o lugar onde moramos, precisamos diminuir as expectativas que depositamos nele (e em nós mesmos). Em uma rotina atribulada como a nossa atual, a prioridade é manter uma casa com tarefas divididas igualmente, funcional, viva, ainda que imperfeita.

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A palavra do ano: Quietude

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2017 foi, para mim, um ano de altos e baixos, como comentei nesse post. Sou muito grata por todas as coisas boas que me aconteceram, mas também houve momentos em que fui tomada pela ansiedade,  por situações que causaram uma interferência negativa em mim e que acabaram me tirando a paz interior.

E quando eu digo isso, não estou colocando a culpa apenas em fatores externos. Sei que grande parte dessas situações foi responsabilidade minha, pois eu me cobro muito, me preocupo demais e acabo muitas vezes fazendo tempestade em copo d’água. Na virada do ano, esse momento místico em que fazemos um balanço de nossas vidas e definimos os próximos passos, decidi que não quero mais viver assim. Por isso, a palavra do ano será quietude.

quietude

Em 2018, eu quero me tornar uma pessoa mais calma, ponderada e tranquila. Quero falar menos e ouvir mais. Quero estar mais presente em cada momento, praticando a atenção plena. Quero ter mais controle sobre o que penso e faço, ao invés de agir por impulso. Quero observar mais e julgar menos.

Quero dar tempo ao tempo e não me preocupar com o que está por vir, de modo que a perspectiva do futuro me inspire ao invés de me paralisar. Quero que o “ruído” de fora não atrapalhe meu silêncio interior. Quero acalmar a mente e aquietar o coração. Afinal, não adianta passar o ano novo de branco se a paz não vier de dentro, não é mesmo? 😉

Para 2017, com carinho

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Como em todos os anos, chega dezembro e eu gosto de recapitular tudo o que fiz nos meses anteriores, relembrando aprendizados e conquistas e, com 2017, não seria diferente.

Apesar da sensação de ter passado super rápido, este foi um ano longo, movimentado, em que muita coisa aconteceu. Tive altos e baixos, fui muito feliz e também passei por grandes dificuldades. Sabe aquela montanha-russa? Então, foi o meu 2017. Hoje, olhando para trás, vejo que foram mais pontos positivos que negativos, e que com certeza vou me lembrar de cada um desses momentos com muito carinho.

Em 2017, eu:

  • Mudei minhas referências sobre beleza
  • Assisti A Bela e a Fera, uma das minhas histórias favoritas da Disney, em live action
  • Fiz novos amigos
  • Descobri que 40% da nossa felicidade dependem exclusivamente de nós mesmos
  • Abandonei os absorventes descartáveis e comecei a usar o coletor menstrual
  • Estudei sobre comunicação não-violenta
  • Concluí um mês de posts diários no blog, o BEDA
  • Li a autobiografia da Rita Lee e me apaixonei ainda mais por ela
  • Consumi muitos serviços que promovem a economia colaborativa
  • Participei de uma formação em RH que mudou a forma como eu enxergo minha profissão
  • Comecei a me organizar com o método GTD
  • Recebi uma massagem profissional pela primeira vez
  • Enfrentei alguns medos
  • Conheci o poder das Afirmações Positivas
  • Experimentei a técnica do cronograma capilar
  • Tomei mais chás
  • Passeei muito por BH
  • Chorei de emoção no casamento da minha irmã
  • Relaxei
  • Fiquei em paz com a minha forma de minimalismo
  • Conheci melhor o funcionamento do meu corpo
  • Me desapeguei de algumas pessoas
  • Aprendi mais sobre o Sagrado Feminino
  • Tive crises
  • Fui promovida
  • Refleti sobre como a sociedade me enxerga
  • Assisti novamente a primeira temporada completa de Pokémon
  • Li #GIRLBOSS, que se tornou um dos meus livros favoritos da vida
  • Comecei um Bullet Journal

Sobre o próximo ano, eu só espero que seja mais leve, mais fluido, em que eu consiga compreender e aceitar a cadência natural das coisas com mais facilidade. De coração aberto, eu já estou. 🙂

Bem-vindo(a) ao novo Frugalidades!

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A única coisa permanente é a mudança. — Heráclito, filósofo

Em dezembro o Frugalidades completa três anos de existência. Quando eu criei o blog lá atrás, minha intenção era fazer uma espécie de diário contando meus passos rumo a uma vida minimalista, mais simples. Foi daí que veio o nome, pois “frugal” é tudo aquilo que é simples, modesto, moderado. Também pode significar qualquer coisa que diz respeito a frutos.

Foi pensando também em frutos que criei o novo logo. A árvore simbolicamente representa a vida, em constante evolução, com ciclos onde perde suas folhas para, em seguida, se regenerar, dar flores e frutos. Além disso, uma árvore tem o poder de conectar suas raízes com as profundezas, com o que existe de mais obscuro, e consegue transformar essa energia, nutrindo de vida até o mais alto de seus galhos. Foi debaixo de uma árvore que Buda alcançou a iluminação, e também foi debaixo de uma árvore que Isaac Newton formulou a teoria da gravidade.

As cores também não foram escolhidas ao acaso. O verde simboliza o frescor, a naturalidade, o crescimento, a esperança de algo novo que está surgindo. Já o rosa simboliza o amor, a delicadeza. Juntos no elemento árvore, trazem a ideia de um tronco forte que gera frutos doces. É assim que eu quero conduzir minha vida, garantindo que minha ancestralidade e as experiências anteriores (que me tornaram quem eu sou) gerem o meu futuro, todos os frutos que eu quero colher lá na frente.

E isso tem tudo a ver com o minimalismo, vocês não acham? A vida é cíclica, como as estações do ano, como as fases da lua. Como escorpiana que sou, gosto de observar como os sentimentos, as opiniões e os conceitos morrem e renascem dentro de nós constantemente. Entrar em contato com essas mudanças internas é a mais pura forma de nos conectar com a natureza, com nossas raízes.

Em três anos, muita coisa mudou em mim, interna e externamente. Eu com certeza já não sou a mesma pessoa que escreveu aquelas primeiras linhas do primeiro post, mas estou dando novos passos dia após dia rumo a me tornar a pessoa que eu quero ser no futuro. Afinal, o tempo não pára, e 2018 já está batendo à nossa porta. Que os ventos da mudança batam suavemente entre nossas folhas e soprem, sempre, a nosso favor.

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Inspira. Expira. Não pira.

Capturar

Na semana passada, aconteceu um fato no meu trabalho que me deixou bastante chateada. A situação específica não vem ao caso, mas uma coisa que parecia pequena me tirou do prumo de uma forma que eu não esperava.

Todos nós passamos por momentos de crise em que tudo o que queremos é jogar tudo pro alto e falar “dane-se, eu não preciso disso”. Mas todos nós também sabemos que não é bem assim que as coisas funcionam. Ao receber uma crítica, por exemplo, é preciso filtrar aquilo que realmente se aplica, absorver os ensinamentos que aquela situação está te mostrando e seguir em frente, certo? Mas como se concentrar apenas no que é útil para nós, nas lições a serem aprendidas, e não no resto?

Percebi que se eu quisesse resolver as coisas no calor do momento, eu só teria piorado a situação. Pois bem. Como eu estava a ponto de perder o controle, o que eu fiz foi me afastar e não pensar naquilo por um tempo. Me concentrei nas tarefas que precisavam ser entregues naquele dia, terminei meu trabalho e fui para casa descansar. Passei um feriado prolongado ao lado das pessoas que eu mais amo no mundo, fizemos churrasco, bebemos, cantamos, dançamos.

Eu poderia ter ficado mais tempo remoendo o que aconteceu no trabalho, mas de propósito não fiquei. Depois desses dias, com a cabeça mais fresca, pensando com mais clareza e vendo as coisas de forma mais leve, com certeza vou encarar o problema de outra maneira.

Às vezes nós deixamos coisas pequenas demais estragarem momentos especiais e isso nos custa muito caro. Nem sempre é fácil, mas em situações como essa, o melhor a se fazer é não pensar mais no que está te fazendo mal. Deixar a poeira baixar, retomar o controle sobre a sua saúde mental e desconsiderar o que não vale a pena ser absorvido. “Se custa a sua paz, é caro demais”. Esse será meu novo mantra daqui pra frente. Cada vez mais vejo que é preciso ser filtro, não esponja.

 

Sobre ser gorda

Há alguns dias vi um ensaio maravilhoso no Papo de Homem, onde a maravilhosa da Luísa Toledo fala sobre a experiência de ser fotografada nua mesmo não tendo um corpo dentro dos padrões:

O caminho dos nossos pequenos prazeres desprazeirosos, das nossas escolhas neuróticas pelo sofrimento diário de adequação, pede desconstrução! E tirar a roupa em uma sociedade de tabus, mostrar o corpo desconstruído da necessidade de agradar pode ser revolucionário, falo de uma revolução interna mesmo, não pretendo doutrinar ninguém.

Com o Jan, acredito que o exercício foi libertador, não me vi pelas lentes dele, consegui pela primeira vez em uma sessão de fotos me mostrar como sou, o que tenho de mais íntimo, minha casa, minhas cores, curvas, marcas e resquícios do caminho percorrido até aqui, meu corpo real que atravessa o olhar em uma sessão que simboliza o prazer de se sentir em casa dentro de si.

Mesmo com tanta maravilhosidade em forma de postagem, me deparei com um comentário (eu sei, não deveria ler os comentários, mas o Papo de Homem costuma ser um lugar chorume-free, então dei uma chance) que dizia simplesmente: “cs tão ligado que obesidade é uma doença né? altamente combatida pelo OMS (sic)”. 

Cara, como pode, né? Uma pessoa – ou várias, porque depois se seguiram outros comentários igualmente ofensivos e até piores – olhar para outra pessoa e só enxergar o que quer, no caso, um corpo doente. A Luísa, no caso uma mulher gorda, estava dando a cara a tapa e se colocando para o mundo de forma corajosa e empoderada, por se mostrar simplesmente como ela é. E vem um cara e reduz toda essa experiência apenas a “uma doença combatida pela OMS”. Ter me deparado com esse comentário foi algo que mexeu muito comigo, porque me jogou na cara o que é, para nossa sociedade, ser gordo, mas mais ainda, ser uma mulher gorda.

O corpo de uma mulher gorda nunca vai ser algo secundário. Ele sempre virá em primeiro lugar, antes mesmo de outros aspectos de sua personalidade, de sua competência profissional, de suas vontades, de sua essência, enfim, de quem ela é. Para a sociedade em que vivemos, o fato de uma mulher se sentir bem na própria pele é algo inaceitável. Se um corpo não se enquadra nos padrões, é preciso combatê-lo, moldá-lo, mutilá-lo e, finalmente, adequá-lo.

Não se engane, a preocupação com a saúde do gordo é uma falácia. Alguns problemas de saúde podem estar associados ao excesso de peso, mas obesidade não é sinônimo de doença, assim como magreza não é sinônimo de saúde. Sob o pretexto de cuidar da saúde física de uma pessoa, esse tipo de comentário pode contribuir para piorar a saúde mental dela. Como diz a Paola Altheia, do Não Sou Exposição:

A obesidade é um problema de saúde. No entanto, não podemos confundir: tratar a doença com atacar o portador. Pessoas obesas têm direito de sair em público, se amar, amar aos outros, fazer conquistas, namorar e…. DANÇAR! A vida não para porque estamos com excesso de peso. Todos os seres humanos têm sentimentos. Todos os seres humanos devem ser respeitados.

Para finalizar e tirar um pouco da bad deixada pelo comentário gordofóbico, deixo vocês com mais um ensaio maravilhoso onde eu só enxergo amor:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, atividades ao ar livre, água, close-up e natureza

* Imagens: 1 | 2 | 3

Quando se está uma bagunça

Eu quando preciso fazer algo e estou com preguiça.

Estou escrevendo esse post em pleno domingo à noite e, ao fundo, o som do Domingão do Faustão só me causa ainda mais bad. Talvez seja por influência de mercúrio retrógrado ou mesmo do eclipse solar que está por acontecer. Ou talvez os astros não tenham nada a ver com isso. Mas a verdade é que já faz algum tempo que eu estou uma bagunça, por dentro e por fora.

No ano passado, eu abri meu coração sobre as crises que estava tendo e a verdade é que recentemente algumas dessas sensações voltaram. Depois de uma fase muito boa profissionalmente, as coisas parece que começaram a andar para trás. Ando muito cansada e sem pique pra nada. Quando chega o final de semana, tudo o que eu quero é ficar quietinha em casa, na minha. Quando o final de semana acaba, me bate um desânimo de ter que começar tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, acho que esse post foi só uma forma de colocar um pouco pra fora o que venho sentindo ultimamente. Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo para se isolar do mundo e prestar atenção em nós mesmos, e é isso o que estou buscando fazer nesse momento. Às vezes a gente precisa entrar em contato com nossos monstrinhos interiores, remexer o lixo emocional que acumulamos, curtir um pouco a bad. Colocar o dedo na ferida para, depois, começar o processo de cura. Ser uma bagunça total para, então, se arrumar.

* Imagem retirada daqui