Quando se está uma bagunça

Eu quando preciso fazer algo e estou com preguiça.

Estou escrevendo esse post em pleno domingo à noite e, ao fundo, o som do Domingão do Faustão só me causa ainda mais bad. Talvez seja por influência de mercúrio retrógrado ou mesmo do eclipse solar que está por acontecer. Ou talvez os astros não tenham nada a ver com isso. Mas a verdade é que já faz algum tempo que eu estou uma bagunça, por dentro e por fora.

No ano passado, eu abri meu coração sobre as crises que estava tendo e a verdade é que recentemente algumas dessas sensações voltaram. Depois de uma fase muito boa profissionalmente, as coisas parece que começaram a andar para trás. Ando muito cansada e sem pique pra nada. Quando chega o final de semana, tudo o que eu quero é ficar quietinha em casa, na minha. Quando o final de semana acaba, me bate um desânimo de ter que começar tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, acho que esse post foi só uma forma de colocar um pouco pra fora o que venho sentindo ultimamente. Às vezes a gente precisa mesmo de um tempo para se isolar do mundo e prestar atenção em nós mesmos, e é isso o que estou buscando fazer nesse momento. Às vezes a gente precisa entrar em contato com nossos monstrinhos interiores, remexer o lixo emocional que acumulamos, curtir um pouco a bad. Colocar o dedo na ferida para, depois, começar o processo de cura. Ser uma bagunça total para, então, se arrumar.

* Imagem retirada daqui

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Amar é deixar ir

black and white, close, drawing, fight, forget

A vida toda, fomos acostumados a pensar em sentimentos como uma forma de prisão. Quando gostamos de alguém, temos a tendência de nos referir à pessoa como sendo “nossa”. “Esse é meu namorado”, “ela é minha amiga”, “nossa, isso é a cara da minha mãe”. Só questão de semântica? Talvez. Mas hoje me peguei pensando nisso e em como nos referimos a quem a gente ama.

Porque amar está longe de ser um sentimento de posse. Claro que não pensei assim a vida toda, mas fui amadurecendo essa ideia aos poucos. As pessoas não nos pertencem, assim como não dá pra esperar que pessoas – essa misturinha de independência com sociabilidade – sejam ou ajam de acordo com o que esperamos.

Eu sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sou um pouco tímida e bastante introvertida. Não gosto de multidões e prefiro sempre estar entre poucas pessoas em quem confio, isso quando não prefiro estar sozinha. Assim como espero que os outros respeitem essa minha particularidade, tive que me acostumar com a ideia de que, às vezes, as pessoas vão se afastar. E com o tempo, eu entendi que tudo bem, sabe?

Voltando lá pro assunto do começo, não existe essa coisa de as pessoas pertencerem umas às outras. As pessoas entram nas nossas vidas e podem ter um papel importante ou não nelas, podem causar ou não impacto, podem ou não levar algo de nós com elas e, da mesma forma, podem ou não permanecer. É importante respeitar as decisões das pessoas – principalmente de quem a gente ama – mesmo que isso signifique não tê-las mais por perto.

O mundo muda, as circunstâncias mudam e as pessoas mudam com elas. Amar é entender que nem tudo vai continuar igual para sempre, nem tudo vai voltar a ser como era antes. E que tá tudo bem. Amar é respeitar as pessoas por suas decisões e seguir em frente, guardando na memória o tempo bom que foi vivido. Amar é ser livre e permitir que o outro também seja. Amar, muitas vezes, é deixar ir.

* Imagem retirada daqui

Não sou obrigada

Eu sou uma pessoa muito eclética musicalmente, muito mesmo, mas cresci em uma família de roqueiros que não aceitava muito bem gostos musicais diferentes, digamos assim. Quando fui morar sozinha, me dei a liberdade de poder ouvir o que eu quisesse, rock, pop, funk, sertanejo, pagode, inclusive em volume alto. Porém, como há muito tempo não acontecia, essa semana me deparei com uma situação chata relacionada a isso. Pra resumir, em um grupo no Whatsapp uma brincadeirinha boba sobre estilos musicais diferentes tomou outras proporções e virou uma discussão sobre “meu gosto é melhor que o seu”.

Em primeiro lugar, por mais que você seja fã de um cantor (ou ator, ou time de futebol, etc.) não significa que ele é “melhor” do que o que seu coleguinha gosta. Não é preciso ofender a preferência de outra pessoa para legitimar a sua. Até porque, “genialidade” quando se trata de artes em geral, é bastante subjetivo. Em segundo lugar, música é entretenimento, sabe? Se te faz feliz, se te deixa pra cima, se te ~ dá onda ~, tá tudo bem, tá tudo certo. Vamos ser mais leves quanto a isso.

Mas por que eu tô contando tudo isso? Por um simples motivo: tudo isso me fez refletir sobre a forma como eu lido com críticas e “opiniões” tóxicas. Na ocasião em que a conversa no Whatsapp se tornou uma enxurrada de preconceitos disfarçados de opinião, eu fiz o que geralmente faço nessas situações: silenciei o grupo por 8 horas. No dia seguinte, quando mencionei isso para uma pessoa próxima, mais uma vez fui criticada, porque segundo ela minha atitude foi um mecanismo de “fuga” para não enfrentar a discussão.

Esta pessoa estava certa. Em situações como essa, a fuga talvez seja o melhor recurso a ser utilizado. Sabe por quê? Porque eu simplesmente não sou obrigada a ficar ali ouvindo (lendo) grosserias disfarçadas de opinião. Nesse caso, nada que eu dissesse faria a outra pessoa rever seus conceitos e mudar de ideia, e vice-versa. Então pra quê continuar discutindo?

As pessoas confundem o direito de dar opiniões com a obrigação do outro aceitá-las como verdades. E, cara, não funciona assim, principalmente na metáfora do estilo musical, onde obviamente não existe certo ou errado. E principalmente quando a pessoa que dá a “opinião” o faz de forma agressiva e impositiva.

Vocé é resiliente? Faça o teste.:

Nesses casos, onde prolongar o assunto só vai causar mal-estar entre as partes, o melhor mesmo é fugir, se afastar, deixar pra lá. Primeiro que eu não atingi o nível de evolução espiritual (alguém atinge?) em que receber um monte de críticas desnecessárias não me faça mal. Depois, eu não sou obrigada a aceitar opiniões que me façam mal só porque alguém considera que “ficar e discutir” seria o mais maduro.

Às vezes a gente se esquece que as pessoas são diferentes e que cada uma lida de um jeito com as coisas que lhe acontecem. Pra mim, me afastar de gente tóxica e que se blinda de “minha opinião” para diminuir os outros é, sim, um ato de amor próprio. A gente precisa se proteger de pessoas assim, evitando que o nos faz mal. Por fim, uma frase que eu acho que ilustra bem o que estou querendo dizer:

Você é funcionário da sua paz. Não terceirize essa função.

Mesmo que para isso seja necessário silenciar um grupo no Whatsapp.

Preciso de gente tranquila:

* Imagens retiradas daqui, daqui e daqui

Sobre o amor

Amor

Quando vi a imagem acima no tumblr, não pude deixar de me identificar: cada dia mais tenho chegado à conclusão de que o amor é construído diariamente. Como um grande projeto de Lego, é preciso paciência para colocar peça por peça, tirando uma, colocando outra. Às vezes algo parece não encaixar de primeira, mas quando tentamos novamente, o encaixe parece mais certo que nunca.

É verdade que algumas peças nunca vão se encaixar mesmo. Isso é o mais bacana do Lego, as peças têm formatos, tamanhos e cores diferentes. São vastas. Cada uma é única. Assim como os aspectos da nossa personalidade (e construir uma relação é mexer com egos e personalidades diferentes). É preciso tolerância para ceder e abrir mão de certas coisas, sabendo que no futuro o outro também vai ceder em seu benefício.

O amor é o carinho, a confiança, o cuidado com o outro. É o que te faz ficar acordado a noite toda até a febre da namorada baixar. É o que te faz contar os dias pela volta do namorado que foi passar o final de ano com a família. É o que te faz cozinhar o jantar pensando em agradar um paladar que não é seu. Amor é o dividir, é o somar, o compartilhar momentos bons e ruins. Amor é viver uma aventura em cada rotina. E tudo isso é construído no convívio, diariamente. Peça por peça.

* Imagem retirada daqui.

Sobre o sofrimento

Sofrimento

Você pode ter uma dieta balanceada, praticar meditação todos os dias e olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Pode ferver bem os alimentos antes de comer, fazer exercícios regularmente, parar de fumar. Todas essas são medidas que certamente vão te proteger de diversos males, porém, se há um mal do qual dificilmente conseguimos nos proteger, esse mal é o sofrimento psicológico.

Vivemos atualmente na era da felicidade escancarada em redes sociais, onde a grama do vizinho é (ou pelo menos aparenta ser) sempre mais verde. Por isso podemos pensar que é errado sofrer. Que a vida nos oferece todos os recursos de que precisamos para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Que não dá para ficar triste se sua carreira não está tomando o rumo que você queria, quando ao mesmo tempo existem milhões de pessoas passando fome na África. Que quem sofre por motivos considerados “banais” é fútil e não sabe reconhecer todas as demais coisas boas de sua vida.

A verdade é que o sofrimento psicológico não pode ser mensurado. Não dá para julgar o sofrimento de alguém pelo simples fato de que a única pessoa que conhece a dor é justamente quem a sente. Sensibilizar-se pela situação das pessoas que passam fome na África – ou debaixo do viaduto, na esquina da sua casa – é um sinal de empatia, obviamente. Mas acredito que é importante demonstrar essa mesma empatia a um amigo que perdeu a promoção que tanto sonhava no trabalho, ou à sua mãe, que acordou sentindo muita dor de cabeça e quis ficar mais uns minutinhos na cama. A empatia é justamente o esforço em sentir o que o outro sente, por isso deve ser um exercício diário.

QUOT ARIA

Da mesma forma, é preciso compreender que o sofrimento é um processo natural pelo qual todos nós passamos, que não há nada de errado em sofrer. Inclusive, reconhecer o sofrimento é muito saudável e dar vazão a ele (sabe aquele momento em que você realmente precisa se descabelar, chorar, espernear?) é o primeiro passo para conseguir superá-lo. Vale ressaltar que que cada um tem uma forma de lidar com os próprios sentimentos, por isso algumas pessoas tendem a se afastar mais, outras ficam mais emotivas e algumas até mesmo se mostram mais “fortes”, como uma forma de se defenderem do sofrimento.

Por isso, da próxima vez que se sentir triste, meio sem saída, não se sinta culpado por isso. Apenas sofra. Se for preciso, chore. Abrace seu sofrimento. Acolha essas emoções e saiba reconhecer a importância delas para que você aprenda e se desenvolva emocionalmente. É preciso aceitar o sofrimento para que possamos moldá-lo, lapidá-lo e transformá-lo em força motriz para seguir em frente. Depois que a tempestade mais forte passar, você vai ver como fica mais fácil enxergar o arco-íris.

* Imagens retiradas daqui e daqui